Chefe de investigação critica Fifa por sigilo em processo de corrupção

terça-feira, 14 de outubro de 2014 13:17 BRT
 

LONDRES (Reuters) - Michael Garcia, chefe das investigações sobre corrupção envolvendo os processos de escolha das sedes da Copa do Mundo em 2018 e 2022, criticou a Fifa por não conduzir seu inquérito de maneira aberta.

Garcia enviou seu ansiado relatório ao juiz alemão Hans-Joachim Eckert no mês passado e pediu que o documento fosse tornado público, em linha com "as metas do processo de reforma" da entidade.

Vários membros do comitê executivo da Fifa apoiaram a publicação do documento, mas o presidente Joseph Blatter tem contornado a questão e o diretor legal da entidade argumentou que a confidencialidade do relatório estaria ligada à proteção das testemunhas.

"A investigação e o processo de adjudicação tramitam em grande parte sem que se veja ou escute", disse Garcia em uma palestra proferida em Londres, de acordo com a BBC.

"Esse é o tipo de sistema que pode ser apropriado para uma agência de inteligência, mas não para um processo de adequação ética em uma instituição esportiva internacional que serve ao público e está sujeita a um intenso escrutínio público", acrescentou.

Garcia, um ex-procurador federal dos Estados Unidos, investiga se houve alguma corrupção no turbulento processo de candidatura, quatro anos atrás, que levou à escolha da Rússia e do Catar como sedes dos Mundiais de 2018 e 2022, respectivamente.

"O próximo passo natural para o desenvolvimento de um efetivo processo ético na Fifa é uma maior transparência", disse Garcia.

(Por Ian Ransom)

 
Michael Garcia, chefe das investigações sobre corrupção envolvendo os processos de escolha das sedes da Copa do Mundo em 2018 e 2022, durante coletiva de imprensa na sede da Fifa, em Zurique, Suíça. 27/07/2012. REUTERS/Michael Buholzer