Ex-dirigente do futebol inglês propõe boicote contra Copa para reformar a Fifa

segunda-feira, 17 de novembro de 2014 10:48 BRST
 

LONDRES (Reuters) - O ex-presidente da Associação de Futebol da Inglaterra (FA, em inglês) David Bernstein pediu para que a entidade fizesse um lobby junto à Uefa a fim de organizar um boicote europeu à próxima Copa do Mundo, a menos que houvesse uma reforma na Fifa, que governa o futebol mundial. 

David Bernstein, que chefiou a FA entre 2011 e 2013, é a mais recente figura graduada a pedir para um ação unificada e dramática na Europa após a controvérsia acerca dos relatos de irregularidade na Fifa sobre o processo de candidatura à sede das Copas do Mundo de 2018 e 2022. 

Em uma entrevista à BBC, Bernstein também criticou a Fifa por ter uma formação “totalitária" e disse que a escolha do Catar como sede em 2022 foi “uma das decisões mais ridículas da história do esporte… a decisão digna de Alice no País das Maravilhas”. 

Falando depois que as descobertas do relatório da semana passada foram questionadas até mesmo pelo responsável pela investigação, Michael Garcia, Bernstein disse que a credibilidade do futebol estava “sofrendo enormemente” sob a vigência do atual comando da Fifa. 

Ele acrescentou: “A Inglaterra sozinha não pode influenciar isso… eu acho que a Inglaterra dentro da UEFA sem dúvida tem o poder de influenciar a Fifa, mas para isso teria que considerar se retirar da Copa do Mundo, a próxima Copa do Mundo, a menos que uma reforma - incluindo o não cumprimento do quinto mandato do Sr. (Joseph) Blatter (presidente da entidade) - seja realizada pela Fifa”. 

“Se eu estivesse na FA agora, eu faria tudo que pudesse para encorajar outros países dentro da Uefa - e certamente haveria alguns que ficariam ao nosso lado, enquanto outros não - para adotar essa postura.”

Questionado diretamente se estava pedindo para que a FA se unisse à Uefa para boicotar a Fifa e a Copa do Mundo, Bernstein respondeu: “A menos que se possa realizar as reformas que trariam a Fifa de volta à respeitável comunidade mundial, sim, é o que proponho”. 

“Parece drástico, mas, francamente, isso acontece há anos, e não está melhorando, está indo de mau a pior", acrescentou.