Grupo que combate escravidão aponta abusos trabalhistas no Catar

segunda-feira, 17 de novembro de 2014 21:26 BRST
 

Por Praveen Menon e Amena Bakr

DOHA (Thomson Reuters Foundation) - Demorou menos de um ano para o sonho de Murali Velayudhan ruir.

O trabalhador indiano veio para o Catar em outubro do ano passado na esperança de ser um dos milhares de imigrantes a se beneficiar do boom de 200 bilhões de dólares na construção civil por conta da Copa do Mundo de futebol de 2022 e outros projetos.

Velayudhan sabia que o Catar, assim como outros países do Golfo, era acusado de incentivar um regime de escravidão moderna devido ao tratamento dado aos trabalhadores imigrantes, situação que despertava protestos internacionais. No entanto, ele estava determinado a juntar dinheiro para a família.

Porém, seis meses depois, o trabalhador de 42 anos voltava para a Índia sem dinheiro e com uma dívida que ele vai levar a vida para pagar. "É um sonho que virou pesadelo", disse ele à Thomson Reuters Foundation enquanto deixava Doha com outros colegas que disseram terem sido abandonados por seus empregadores sem visto, nem salário.

Apesar da pressão mundial para que o Catar tome medidas sobre os relatos de exploração no trabalho, estima-se que 29.400 pessoas, 1,4 por cento da população do país, trabalhem como escravos, em atividade forçada ou servidão doméstica, afirmou um relatório nesta segunda-feira.

Somente a Mauritânia, o Uzbequistão e o Haiti têm um índice maior de escravos em relação à população, de acordo com o segundo Índice de Escravidão Global, estudo anual da Walk Free Foundation, uma organização australiana de direitos humanos.

No primeiro índice divulgado no ano passado, o Catar estava na 96ª posição do ranking de 160 países pesquisados. Na classificação deste ano, o país ficou em quarto, entre 167 países.

"A mudança da posição do Catar reflete o fato de que neste ano, pela primeira vez, nós pesquisamos informações de trabalhadores imigrantes da Etiópia e do Nepal que retornaram”, declarou a diretora da Walk Free Foundation, Fiona David.   Continuação...

 
Alojamento de trabalhadores na zona industrial Sanaya, em Doha, no Qatar, em março. 28/03/2014 REUTERS/Stringer