COI abre caminho para organização compartilhada das Olimpíadas

terça-feira, 18 de novembro de 2014 11:08 BRST
 

Por Karolos Grohmann

LAUSANNE Suíça (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) abriu as portas nesta terça-feira para que mais de uma cidade ou país recebam uma mesma Olimpíada, em busca de maneiras de reduzir os custos e tornar os Jogos mais atrativos.

O COI resistiu por muito tempo às tentativas de países e cidades em sediar conjuntamente o maior evento poliesportivo do mundo, alegando que isso poderia deixar a experiência de fãs e atletas menos intensa, mas o presidente do COI, Thomas Bach, disse que a medida agora faz sentido.

Ao apresentar 40 recomendações do COI para mudanças nos Jogos a serem votadas em dezembro, Bach disse a um pequeno grupo de repórteres que, por razões de sustentabilidade, seria possível ver outra cidade ou até mesmo país sediando alguns dos eventos da Olimpíada.

"O que vemos é a oportunidade, por razões específicas, e as razões são para a sustentabilidade... de se ir às cidades para uma parte de uma competição ou para toda uma competição", disse.

"A porta está bem mais aberta e nós examinamos isso até mesmo pelo lado legal, e observamos que em tais casos podemos ter mais de um contrato de parceria", acrescentou.

Bach, que tem pressionado por modificações no COI desde que assumiu o comando da entidade em 2013, disse que a ideia central de uma vila olímpica para atletas e uma sede principal não iria mudar.

"A unidade de tempo, lugar e ação, como num drama grego, não pode mudar", disse ele.

"Mas se dois países compartilham uma montanha, por que não compartilharem uma candidatura? Você pode ter nos Jogos de Inverno uma cidade ou região que proporcione 95 por cento das instalações, mas esses cinco por cento ficam faltando. Por que não abrir então a porta para eles (outra cidade ou país)?"

A última candidatura conjunta enviada ao COI foi a de Cracóvia, na Polônia, que planejava a realização de algumas competições na vizinha Eslováquia, antes de retirar sua candidatura para a Olimpíada de Inverno de 2022, no início deste ano.

"Se você tem um país menor que não tem um lago para provas de vela, por que não ir a um país vizinho?", disse Bach. "Continuaria a ser uma candidatura da cidade, mas poderia ser complementada com parceiros."

 
Presidente do COI, Thomas Bach, conversa com jornalistas no Museu Olímpico, em Lausanne. 18/11/2014 REUTERS/Jean-Christophe Bott/Pool