Morte de torcedor espanhol desperta cobranças contra os "ultras"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 10:14 BRST
 

MADRI (Reuters) - A morte de um torcedor do Deportivo La Coruña em confronto com torcedores radicais adversários antes de uma partida contra o Atlético de Madri, no domingo, gerou cobranças por mais ações para combater torcedores violentos, localmente chamados de “ultras”.

Francisco Javier Romero Taboada, de 43 anos, teve que ser retirado do gélido rio Manzanares, perto do estádio Vicente Calderón, do Atlético, e sofreu parada cardíaca, hipotermia e lesões na cabeça. Ele morreu apesar dos esforços para reanimá-lo. 

O tumulto começou pela manhã, no que parecia ser uma batalha de rua organizada entre torcidas organizadas ligadas ao Atlético, ao Deportivo e aos clubes Rayo Vallecano e Alcorcón, ambos de Madri. 

A polícia nomeou os grupos como Riazor Blues (Deportivo), Frente Atlético, Bukaneros (Rayo) e Alkor Hooligans (Alcorcón).

Os ultras, que tipicamente possuem visões políticas de extrema direita, há tempos têm sido uma grande parte do cenário do futebol espanhol, e os clubes de primeira divisão os tratam com diferentes graus de tolerância.

Barcelona e Real Madrid estão entre os times que proibiram a entrada em seus estádios de ultras -chamados "Boixos Nois" e "Ultras Sur", respectivamente-, ao passo que a Frente Atlético ainda é tolerada dentro do Calderón. 

“O futebol há tempos tem olhado para o outro lado ao enfrentar o câncer dos ultras”, escreveu José Samano no jornal El País nesta segunda-feira. “A violência deles não tem suas raízes no futebol, mas foi no futebol onde encontraram refúgio e aprovação."

Como notou o jornal esportivo Marca, a tragédia de domingo não foi a primeira morte ligada a torcedores violentos do Atlético. 

Em 1998, um torcedor do Real Sociedad morreu após ser atacado perto do Calderón e um membro da Frente Atlético foi sentenciado a 17 anos de cadeia pelo crime.    Continuação...

 
Polícia escolta torcedores do Deportivo la Coruña na saída do estádio Vicente Calderón, em Madri, após jogo contra o Atlético. 30/11/2014 REUTERS/Susana Vera