10 de Julho de 2015 / às 12:25 / 2 anos atrás

Empresa de Miami é suspeita de pagamento de subornos em esquema de corrupção no futebol

Ex-presidente da Concacaf Jeffrey Webb, acusado de receber suborno em esquema de corrupção da Fifa. 19/04/2013Carlos Jasso

NOVA YORK (Reuters) - Uma afiliada em Miami da gigante espanhola de mídia Imagina é uma das empresas de marketing esportivo indiciadas pelos Estados Unidos, mas não identificadas, sob suspeita de pagamento de suborno em um esquema de corrupção no futebol mundial, disseram fontes à Reuters.

A empresa citada é a Media World, uma subsidiária da Imagina US, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto, que falaram à Reuters sob condição de anonimato. A Imagina US é uma filial do grupo Imagina, com sede em Barcelona.

A acusação não diz que a empresa –identificada apenas como "Empresa de Marketing Esportivo C"- pagou suborno, mas diz que concordou em fazê-lo e estava procurando uma maneira de efetuar o pagamento a um funcionário do alto escalão do futebol nas Américas.

A Media World, que compra e vende os direitos de transmissão de campeonatos de futebol e opera canais de TV voltados para o mercado hispânico dos EUA, não foi acusada de delito.

Em processos judiciais norte-americanas, os promotores às vezes apontam potenciais irregularidades cometidas por pessoas ou entidades, mesmo que não estejam prestes a acusá-las de um crime. Às vezes, a pessoa ou corporação nunca é formalmente acusada ou até mesmo citada pelos procuradores.

Um porta-voz da promotoria federal no Brooklyn, em Nova York, não quis comentar o caso.

Em 27 de maio, os promotores norte-americanos detalharam um esquema de mais de 150 milhões de dólares em supostos subornos pagos ao longo de mais de duas décadas, levando à prisão de alguns dirigentes do futebol, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, e executivos, mergulhando em crise a federação mundial que coordena o esporte, a Fifa.

A acusação diz que a "Empresa de Marketing Esportivo C" acertou com a Traffic USA, empresa de marketing esportivo subsidiária da brasileira Traffic e arrolada na acusação dos EUA, dividir igualmente um suborno no valor de 3 milhões de dólares para Jeffrey Webb, na época dirigente da confederação regional de futebol, a Concacaf.

O suborno foi negociado para permitir que as empresas explorassem conjuntamente os meios de comunicação e direitos de marketing das eliminatórias da União Caribenha de Futebol para as Copas do Mundo de 2018 e 2022, diz o documento do tribunal.

Os direitos de transmissão e de marketing são uma enorme fonte de receita para o futebol. A acusação alega que empresas de marketing esportivo dos Estados Unidos e dirigentes corruptos do futebol comandavam uma ação criminosa internacional, trabalhando lado a lado para lucrar pessoalmente com os jogos.

Os promotores dizem que as empresas às vezes agiam em coordenação e, em outras ocasiões, competiam ferozmente pelos contratos lucrativos.

O brasileiro José Hawilla, o fundador da Traffic, secretamente se declarou culpado em dezembro de conspiração para extorsão, conspiração para fraude eletrônica, conspiração para lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça, de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA. Hawilla também concordou em entregar mais de 151 milhões de dólares. Sua sentença está marcada para setembro, de acordo com registros do tribunal.

Reportagem adicional de Brad Haynes, em São Paulo

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