August 2, 2015 / 6:18 PM / 2 years ago

Vazamento em massa de dopings mexe com o mundo do atletismo

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KUALA LUMPUR (Reuters) - O vazamento de informações confidenciais a respeito de doping trouxe o caos ao atletismo mundial neste domingo, depois que um jornal e uma emissora mostraram que cerca de um terço das medalhas do atletismo em Olimpíadas e etapas do Mundial entre 2001 e 2012 foram conquistadas por corredores com substâncias suspeitas no sangue.

O jornal inglês Sunday Times e a emissora alemã ARD/WDR disseram que obtiveram informações confidenciais do caixa-forte do órgão máximo do atletismo mundial, a IAAF, fornecidas por um denunciante anônimo "enojado" com a dimensão do doping.

Os veículos de mídia mostraram as informações a dois especialistas, que concluíram que o atletismo estava no mesmo estado que o ciclismo no instante em que eclodiu o escândalo de doping que quase destruiu o esporte por completo, quando o norte-americano Lance Armstrong teve suas sete vitórias no Tour de France cassadas.

O escândalo deve ofuscar o Mundial de atletismo, que começa em 20 dias em Pequim. 

"Muitos atletas parecem ter se dopado de forma impune, e é de se condenar que a IAAF pareça ter ficado de braços cruzados, deixando isso acontecer", disse o especialista em doping australiano Robin Parisotto ao Sunday Times.

A IAAF não comentou imediatamente, e limitou-se a dizer que está preparando uma resposta e que as informações confidenciais foram obtidas sem permissão.

A Agência Mundial Anti-Doping, a WADA, na sigla em inglês, órgão autônomo criado em 1999 para coordenar investigações de doping em todo o mundo do esporte, afirmou que os resultados são "bastante perturbadores".

As acusações "irão, uma vez mais, sacudir as bases dos atletas limpos em todo o mundo", disse o presidente da Wada Craig Reedie, em encontro do COI (Comitê Olímpico Internacional) em Kuala Lumpur, na Malásia.

O COI manifestou confiança de que a WADA vai investigar a fundo todas as alegações.

As acusações dizem respeito a técnicas usadas para melhorar a capacidade do sangue de carregar oxigênios às células, que podem conferir vantagens a competidores em eventos onde a resistência é fundamental, como ciclismo de longa distância ou, neste caso, do atletismo, corridas de média e longa distâncias.

O Sunday Times e a ARD disseram que tiveram acesso aos resultados de mais de 12 mil testes sanguíneos feitos por mais de 5 mil atletas entre 2001 e 2012. Mais de 800 destes atletas tiveram resultados "anormais".

Entre eles, 146 medalhistas em eventos de alto nível, sendo 55 de ouro, de acordo com as informações. A Rússia é o país com o maior número de resultados suspeitos, com 415 testes "anormais" de sangue, seguida por Ucrânia, Marrocos, Espanha, Quênia, Turquia e outros.

Por outro lado, segundo o Sunday Times, os testes mostraram que vários atletas, como o bicampeão olímpico Mo Farah, inglês, o astro jamaicano Usain Bolt e a heptatleta inglesa Jessica Ennis-Hill estão limpos.

Por Karolos Grohmann; reportagem adicional de Nick Mulvenney, em Sydney

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