Rio se protege de crises no país a um ano da Olimpíada, apesar de desafios

quarta-feira, 5 de agosto de 2015 08:27 BRT
 

(Repete sem alterações texto publicado na terça-feira)

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A um ano da abertura da Olímpiada do Rio de Janeiro, a cidade busca se isolar em uma bolha para se proteger de um quadro nacional marcado por recessão na economia, crise política e escândalo de corrupção.

Ainda há muito trabalho a ser feito até o início da primeira Olimpíada na América do Sul, em 5 de agosto de 2016, mas a grande maioria das obras de infraestrutura e arenas esportivas está dentro do cronograma, em contraste com os problemáticos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, marcados por atrasos, estouros de orçamento e protestos contra a realização do evento.

Diante de um cenário nacional bem diferente daquele de crescimento robusto e alta confiança no Brasil vivido em 2009 na época da vitória do Rio sobre Madri, Chicago e Tóquio na disputa pela sede olímpica em 2016, a capital fluminense agora se vê obrigado a "proteger" os Jogos das crises externas, na avaliação do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

"Claro que uma situação de instabilidade econômica e política do Brasil não dá para ignorar", disse Paes em entrevista à Reuters nesta terça-feira, véspera da data que marcará os exatos 365 dias para o início da Olimpíada.

"Então trabalhamos para que as coisas caminhem bem. Mais ainda temos que estar atentos, proteger e provar como a Olimpíada é importante para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Talvez tenha ficado mais duro, mais desafiador mostrar tudo isso diante do quadro que estamos vivendo", afirmou.

Em comparação com a preparação para o Mundial do ano passado, os organizadores dos Jogos, que têm custo total estimado em mais de 38 bilhões de reais, velejam em águas bem mais tranquilas, ainda que sujas.

A poluição da Baía de Guanabara e de outros locais de competição parece ser o maior desafio dos organizadores até o início dos Jogos. A meta anunciada pelo governo estadual de despoluir 80 por cento do esgoto lançado na baía até os Jogos foi abandonada, e as autoridades agora esperam que medidas paliativas, como barreiras aquáticas, melhorem as condições para os atletas.   Continuação...

 
Barco veleja na Baia de Guanabara com o Pão de Açúcar ao fundo no Rio de Janeiro. 30/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes