Organizadores prometem cerimônias criativas e sem luxo na Olimpíada do Rio

terça-feira, 22 de setembro de 2015 20:38 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em tempos de ajuste fiscal, os organizadores das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, prometeram nesta terça-feira cerimônias sem esbanjar recursos e luxo, mas com muita criatividade e até clichês.

“Não faz sentido torrar dinheiro num país que não tem nem saneamento. Vamos apostar em bom conceito, no bom gosto sem esbanjar”, disse o cineasta Fernando Meirelles, que faz parte da equipe de idealizadores dos eventos, junto com os diretores Andrucha Wadington e Daniela Thomaz, da carnavalesca Rosa Magalhães e do produtor de eventos Abel Gomes.

“Num momento de baixa estima dos brasileiros, vamos fazer uma festa para mostrar o que o Brasil tem de bom e as boas qualidades do brasileiro, que em momentos difíceis não são percebidas”, acrescentou Daniela Thomaz.

Os detalhes das cerimônias no estádio do Maracanã e o orçamento não foram revelados, mas algumas pistas foram dadas.

“Não tem como você fazer um evento desse porte no Brasil e não falar de samba e Amazônia, por exemplo, em algum momento”, disse à Reuters Abel Gomes.

Segundo Daniela, é "impossível não ter clichês nas cerimônias. Acho que falar de Brasil é falar de irreverência, alegria, bom humor. O clichê é a maneira que você usa para comunicas as coisas e atingir as pessoas. É o mundo que está nos assistindo”.

Os organizadores revelaram, no entanto, que não pretendem repetir o que ocorreu nas cerimônias da Copa do Mundo de 2014. “Ali foi o exemplo do que não fazer. Não haverá com certeza perna de pau e índio de colã”, acrescentou a diretora de teatro.

Entre os grandes desafios apontados por eles estão o orçamento apertado e as limitações físicas do Maracanã. Apesar de o custo das festas não ter sido revelado, o diretor de cerimônias do Comitê Rio 2016, Leonardo Caetano, disse que "será bem menos do que se gastou em Londres (2012) e em Pequim (2008)”.

Além da restrição financeira, o estádio do Maracanã impõe aos diretores artísticos limitações de espaço. Inicialmente, chegou-se a cogitar a possibilidade de serem feitas obras no local para atender às demandas, mas por questões orçamentárias a ideia não evoluiu. O pequeno número de acessos ao gramado, o tamanho das portas e portões e até o nível das cadeiras das arquibancadas tornam as cerimônias de abertura e encerramento uma tarefa olímpica.   Continuação...