CBF e Del Nero não temem possível acordo de Marin com Justiça dos EUA, diz Feldman

quarta-feira, 28 de outubro de 2015 19:15 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A extradição do ex-presidente da CBF José Maria Marin de uma prisão na Suíça para os Estados Unidos foi recebida com tranquilidade pela cúpula da confederação, segundo o secretário-geral Walter Feldman, que garantiu que não há um temor na entidade com eventual acordo de delação premiada que possa ser feito entre o ex-dirigente e a Justiça norte-americana.

Feldman afirmou, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira, que não há nenhuma ligação entre as acusações de suborno contra Marin à época em que esteve à frente da CBF e o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, vice-presidente na gestão de Marin.

“A transferência não causa nenhum desconforto ao presidente Del Nero. Nenhum mesmo, zero. Não há qualquer tipo de constrangimento ou temor por parte do presidente ou da CBF”, disse Feldman por telefone.

Marin concordou em ser extraditado para os EUA como parte de uma investigação sobre um escândalo de corrupção na Fifa, informou a Justiça suíça nesta quarta-feira. Ele é um dos sete dirigentes que foram presos em maio deste ano em Zurique, após serem indiciados pelos EUA por acusações de corrupção.

Marin, que presidiu a Confederação Brasileira de Futebol de 2012 a abril deste ano e foi o presidente do comitê organizador local da Copa do Mundo de 2014, é acusado de receber propinas milionárias sobre contratos de direitos de marketing esportivo e vinha lutando até o momento contra a extradição.

Desde a prisão de Marin, Del Nero tem evitado viagens ao exterior e não comparece a reuniões de comitês da Fifa e da Conmebol.

“O presidente Del Nero está muito seguro da desvinculação dele de qualquer episódio que tenha acontecido. O presidente Del Nero está muito tranquilo”, afirmou Feldman. “Mesmo que o Marin faça um acordo, temos convicção que nada tem como endereço (o presidente Del Nero)”, completou.

Marin, de 83 anos, mantém uma casa em Nova York, de acordo com o indiciamento dos EUA, em maio. Não ficou claro se ele teria permissão para ficar lá enquanto aguarda julgamento.

“Do ponto de vista institucional, esperamos que o caso seja resolvido o mais rápido possível com a redução do constrangimento que isso (a prisão) causou a ele e à família”, disse Feldman.

 
Marco Polo Del Nero durante entrevista no Rio de Janeiro.  22/10/2015.   REUTERS/Sergio Moraes