Brasil não está preparado para evitar ataque na Olimpíada, dizem especialistas

quinta-feira, 19 de novembro de 2015 08:40 BRST
 

Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil ainda não tem o conhecimento e o preparo necessários para impedir que a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro seja alvo de ataques como os que ocorreram em Paris, e dependerá da ajuda de países estrangeiros para garantir a proteção do evento, avaliaram especialistas em segurança.

As preocupações com a possibilidade de um ataque nos Jogos do Rio cresceram desde que militantes do Estado Islâmico reivindicaram a autoria de ações coordenadas que deixaram 129 mortos em Paris na semana passada e tiveram como um dos alvos a área do estádio onde a seleção francesa disputava um amistoso com a Alemanha.

A facilidade de se conseguir armas no Rio, onde várias favelas são dominadas por traficantes de drogas fortemente armados, a falta de uma rede de inteligência no país capaz de interceptar planos de ataques de militantes e o despreparo dos estádios para a eventualidade de uma bomba são os principais problemas enfrentados pelas autoridades, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

“O Brasil mais que engatinha nessa área de prevenção ao terrorismo, na verdade se arrasta", disse o professor e especialista em segurança da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Brancoli. "O Brasil não tem condições de rastrear no campo internacional ou saber se dinheiro está vindo para cá para financiar atentados. Terá que contar com ajuda de quem sabe fazer. Não tem jeito."

A segurança sempre foi uma das maiores preocupações do Comitê Olímpico Internacional em relação aos Jogos do Rio, mas não relacionada diretamente ao terrorismo. A cidade foi escolhida em 2009 como sede dos Jogos em parte por ter convencido os dirigente do COI da eficácia do programa de ocupação de favelas pela polícia, as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que reduziram os índices de criminalidade.

Representantes de governos estrangeiros demonstraram preocupação com a segurança durante os Jogos, uma vez que não veem as autoridades do país levando a sério a ameaça de um ataque terrorista.  

Diplomatas em Brasília ficaram surpresos na segunda-feira quando, três dias depois dos ataques a Paris, a presidente Dilma Rousseff minimizou a possibilidade de um ataque no Brasil em entrevista durante o G20, na Turquia, ao dizer que o país está "muito longe dos locais onde esse processo está se dando".

"O Brasil está colocando a cabeça no buraco como um avestruz", disse um diplomata europeu ligado a questões de segurança.   Continuação...

 
Vista geral do Estádio Olímpico do Rio de Janeiro. 09/09/2015 REUTERS/Sergio Moraes