Pezão admite que finanças do Rio "desmancharam", mas garante recursos para Olimpíada

sexta-feira, 20 de novembro de 2015 17:36 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Apesar da forte crise financeira que atinge o Estado do Rio de Janeiro, que coloca em risco até o pagamento de servidores no fim de ano, não faltarão recursos para a conclusão das obras voltadas para à Olimpíada de 2016, segundo o governador Luiz Fernando Pezão.

O governo do Rio tem alguns importantes compromissos para honrar com a preparação dos Jogos, como o investimento em geradores de energia para alimentar as mais diversas instalações que serão usadas em 2016 e, principalmente, recursos para finalizar as obras da Linha 4 do metrô, avaliados em ao menos 1,5 bilhão de reais.

“Estamos negociando com os bancos, são empréstimos que estão sendo liberados também com alguma dificuldade, mas não vamos hesitar. Não faltarão recursos para as Olimpíadas. Não haverá problemas“, disse Pezão em entrevista à Reuters. “Estamos negociando com BNDES e bancos oficiais. A obra do metrô não está comprometida e vai sair.”

Apesar da garantia, há uma grande preocupação com as finanças do Estado. Com a recessão na economia brasileira e a crise no mercado de petróleo, devido à queda no barril do petróleo e redução dos investimentos da Petrobras, as finanças do Estado, “desmancharam”, de acordo com o governador.

O Rio ainda precisa levantar de 2 a 3 bilhões de reais neste fim de ano para honrar compromissos. Essa semana, o pagamento de fornecedores foi prorrogado para o fim do mês, e o Estado ainda não tem o valor de 1 bilhão de reais necessário para pagar em meados de dezembro a segunda parcela do 13º salário dos servidores.

Pezão precisou enviar à Assembleia Legislativa 11 projetos de lei para conseguir novos recursos e receitas não recorrentes neste ano. Para 2016, ano da Olimpíada, o governador conta com 15 bilhões de reais em receitas atípicas para poder fechar as contas “no zero a zero”.

“A arrecadação voltou aos níveis de 2009. Essa é uma coisa de maluco e muito difícil. Já paguei 50 por cento do décimo terceiro dos servidores e estou lutando para pagar o restante, tomara ainda esse ano”, disse Pezão. “Estamos tirando coelhos da cartola todos os dias... mas posso dizer que segurança, saúde, educação e Olimpíadas são nossas prioridades”, declarou.

Para cumprir suas promessas, o governador pode adotar medidas impopulares como aumentar impostos, como o ICMS do Estado, e atrasar o pagamento do serviço da dívida com a União, orçada em cerca de 8,5 bilhões de reais.   Continuação...

 
Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. 12/02/2015. REUTERS/Pilar Olivares