Temor do Zika leva Austrália a fechar patrocínio com fabricante de repelente para Rio 2016

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 14:06 BRST
 

Por Byron Kaye

SYDNEY (Reuters) - Um pequeno fabricante de repelente de mosquitos da Austrália se tornou um beneficiáro improvável do surto de Zika vírus esta semana, quando a delegação olímpica do país fechou contrato com a empresa para ser a primeira fornecedora oficial do produto.

Enquanto as autoridades de todo o mundo correm para conter o vírus, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou uma emergência de saúde pública mundial, o laboratório Juno, de Melbourne, anunciou que irá fornecer mil tubos de gel repelente para os atletas australianos que irão competir na Olimpíada do Rio de Janeiro, em agosto.

"Eles nos pediram para fornecer o produto, então o Zika vírus apareceu e isso se tornou muito mais propício", disse o diretor da Juno Andrew Raper.

A Austrália planeja enviar 450 competidores e 330 funcionários de apoio para o maior evento esportivo do planeta.

"Andamos conversando com os membros de nossa delegação sobre isso (os preparativos de saúde) nos últimos dois anos", afirmou o diretor médico da equipe olímpica australiana, David Hughes, à Reuters. "Embora o Zika seja novo, a questão das doenças transmissíveis por mosquitos não é, e estamos preparados para isso".

O Comitê Olímpico Australiano (AOC) vinha debatendo um acordo de patrocínio com o Juno há vários meses antes de o Zika se tornar um surto na América do Sul em 2015.

O AOC estava preocupado com outras doenças transmitidas por mosquito no Brasil, como febre amarela, dengue e chikungunya, e também com os efeitos da poluição das águas em velejadores e outros competidores de esportes aquáticos.

A chefe da missão olímpica australiana, Kitty Chiller, que competiu no pentatlo em Sydney em 2000, disse, no entanto, que nenhum dos atletas que esperam participar dos Jogos mostrou qualquer preocupação com o Zika, mas que "do ponto de vista do zelo pela sua saúde, precisamos que nossos atletas estejam cientes da situação e dos riscos".

 
Latas de repelente do laboratório Juno, de Melbourne.   03/02/2016    REUTERS/David Gray