Enfraquecimento de mosquito do Zika na Olimpíada não está garantido

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016 13:53 BRST
 

Por Paulo Prada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Alarmados pelo crescente temor global acerca da propagação do Zika vírus, autoridades brasileiras e organizadores dos Jogos Olímpicos estão dizendo a quem pretende visitar o Brasil na Olimpíada para não terem medo.

O mês de agosto, quando o Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos, coincide com meados do inverno no Hemisfério Sul, época em que o clima estará mais seco e mais frio do que o normal na cidade, proporcionando condições menos hospitaleiras para o mosquito que transmite o vírus.

"Essa época do ano é a estação de seca, no inverno, e não temos histórico de ação do mosquito nesse período", afirmou recentemente o prefeito do Rio, Eduardo Paes, a jornalistas. Mas não é assim tão simples, dizem os cientistas.

É verdade que a chuva e a temperatura naquele mês geralmente ficam abaixo da média anual. Mas, ainda que fique menos ativo do que nos meses mais quentes, o mosquito Aedes aegypti nunca desaparece totalmente.

Seus ovos, que podem ficar inativos por mais de um ano, eclodem em questão de minutos com qualquer rápido aumento da umidade ou do calor, o que tem acontecido nos últimos anos mesmo no inverno tropical.

Uma análise da Reuters de registros municipais de saúde de alguns anos mostra que infecção transmitida por mosquitos nos meses de agosto pode ser tão ruim ou até pior do que nos meses de pico usuais para as infecções.

"O clima é variável", diz Nancy Bellei, diretora de virologia clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia. "Não podemos simplesmente esperar uma temperatura mais baixa e que o vírus não se espalhe."

Além da meteorologia, o contágio depende de outros fatores, como se o vírus está realmente circulando em meio a uma determinada população, se essas pessoas já tiveram exposição anterior a esse vírus e qual a sua prevalência em determinados momentos.   Continuação...

 
Mosquitos Aedes aegypti em laborartório de Campinas, em São Paulo. REUTERS/Paulo Whitaker