Pacquiao ainda pode conquistar vaga no Senado filipino apesar de declaração contra gays

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016 09:50 BRST
 

MANILA (Reuters) - Apesar de todas as críticas que recebeu por comentários homofóbicos e da perda de um contrato de patrocínio lucrativo com a Nike, o campeão mundial de boxe Manny Pacquiao ainda parece a caminho de conquistar uma vaga no Senado das Filipinas na eleição de maio, de acordo com analistas políticos.

A Nike , maior empresa de artigos esportivos do mundo, cancelou na quarta-feira seu contrato com o boxeador e político de 37 anos, que conquistou títulos mundiais de boxe em oito categorias de peso diferentes, depois que ele descreveu os homossexuais como "piores do que animais".

Mas os eleitores das Filipinas, onde mais de 80 por cento da população de 100 milhões de habitantes é católica, não parecem dispostos a abandonar o maior herói do esporte do país, que concorre a uma das 12 cadeiras em disputa no Senado no dia 9 de maio.

O pugilista se desculpou pelos comentários, e analistas acreditam que a polêmica prejudicou pouco sua campanha.

"Pacquiao ofendeu claramente a comunidade de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros com seus comentários sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas este grupo representa uma minoria, e isso não irá afetar a popularidade do boxeador entre os eleitores", afirmou Benito Lim, professor de ciência política da Universidade Ateneo de Manila, administrada por jesuítas, à Reuters.       

"Ele ainda pode vencer as eleições".

Muitos filipinos comuns acham que Pacquiao cometeu um erro em seus comentários sobre o casamento homossexual por ter ofendido algumas pessoas.

Muitos, porém, estão mais interessados no que acontecerá em abril, quando Pacquiao tentará recuperar o título de peso meio-médio da Organização Mundial de Boxe (WBO, na sigla em inglês), que ele perdeu para Floyd Mayweather no ano passado.

Pacquiao enfrentará o norte-americano Timothy Bradley na luta, tida como a sua última.

(Por Manuel Mogato)

 
Manny Pacquiao durante evento de campanha eleitoral em Mandaluyong. 09/02/2016   REUTERS/Janis Alano