ENTREVISTA-Velejadores competem com medo nas águas poluídas do Rio, diz campeão paralímpico

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016 17:21 BRT
 

Por Karolos Grohmann

BERLIM (Reuters) - A má qualidade da água da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, faz com que os velejadores paralímpicos temam constantemente por sua saúde durante as competições, já que os organizadores não cumpriram suas promessas, disse o campeão paralímpico Heiko Kroeger nesta terça-feira.

O experiente velejador alemão, que conquistou uma medalha de ouro na Paralimpíada de Sydney no ano 2000 e de prata em 2012 em Londres, disse que os colegas em cadeiras de rodas estarão especialmente vulneráveis nas águas poluídas durante a Paralimpíada na cidade brasileira entre os dias 7 e 18 de setembro.

"Normalmente, quando você está velejando você abre a boca e engole um pouco de água para se refrescar", contou Kroeger à Reuters um dia depois de voltar de uma competição no Rio.

"Mas na semana passada, no Rio, ficamos de bocas e narizes fechados e desviamos o rosto dos borrifos", disse.

"Velejo há muito tempo, mas nunca vi isso acontecer. Existe um temor constante nas nossas cabeças, o temor de ficar doente", afirmou o atleta, que também velejou na baía em setembro.

"Isso, é claro, afeta a competição, porque você sabe que, se adoecer, está fora."

Quando o Rio conquistou o direito de sediar a Olimpíada e a Paralimpíada em 2009, a cidade se comprometeu a reduzir a quantidade de esgoto sem tratamento na baía em 80 por cento, mas desde então confirmou que não irá cumprir essa meta.

A Guanabara, que também irá receber as provas de vela, maratona aquática e triatlon durante a Olimpíada, em agosto, tem níveis altos e perigosos de vírus e bactérias na água, como mostraram estudos independentes.   Continuação...

 
Peixes mortos na Baía de Guanabara no Rio de Janeiro.  13/1/2016.  REUTERS/Ricardo Moraes