COB e ex-ministro interino tornam-se réus em processo de desvio em contrato dos Jogos do Rio

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 17:32 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Comitê Olímpico do Brasil, o vice-presidente da entidade, André Gustavo Richer, e o ex-ministro interino do Esporte Wadson Nathaniel Ribeiro tornaram-se réus em um processo de improbidade administrativa que investiga suposto favorecimento a uma empresa contratada para traduzir o material de candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos, informou o Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira.

O suposto desvio seria de 400 mil reais e a denúncia de crime de improbidade administrativa tem como alvo o próprio COB. A ação aponta ainda a participação de dois servidores do ministério, um gerente do COB e uma empresa, a Primacy Idioma.

Segundo a denúncia encaminhada à 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro, houve uma espécie de direcionamento na contratação da empresa V&B Serviços LTDA, responsável pela tradução do material de candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. As investigações do MPF apontam que três empresas participaram da licitação para a escolha da empresa vencedora, sendo que duas delas, V&B e Primacy, pertencem a uma mesma família e a terceira inscrita, a Efficiency, não existe.

Além disso, de acordo com o MPF, a tradução contratada para francês não foi realizada e o COB ainda teria embolsado 91 mil reais para tradução de páginas que não foram feitas. O serviço foi pago com dinheiro público por meio de um convênio com o Ministério do Esporte.

O processo de contratação, "contendo várias irregularidades, foi aprovado pelo ex-secretário executivo do Ministério do Esporte Wadson Nathaniel Ribeiro, na época em que o repasse foi feito, em 2008", disse o MPF. O Brasil foi escolhido como sede das Olimpíadas no ano de 2009.

De acordo com a denúncia, o Ministério Público Federal pede que seja decretada a indisponibilidade dos bens dos acusados num total de 800 mil reais.

Além disso, O MPF solicita que os envolvidos percam seus direitos políticos por cinco anos. "A ação demonstra a importância da transparência na gestão do COB, o que vem sendo exigido em outras medidas do grupo de trabalho do MPF", disse em nota o procurador Leandro Matidieri.

Procurado, o COB informou que “está à disposição do Judiciário para prestar os devidos esclarecimentos”.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)