Fifa busca recomeço em eleição do substituto de Blatter

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 11:16 BRT
 

Por Simon Evans

ZURIQUE (Reuters) - Às voltas com uma crise interna, a Fifa vive um dos dias mais importantes de seus 112 anos de história nesta sexta-feira, quando vai eleger um novo líder e torce para que a eleição simbolize uma nova era depois de décadas de corrupção.

Delegados de mais de 200 países votarão para escolher um novo presidente no lugar de Joseph Blatter, dois dias depois de o suíço e do presidente da Uefa, Michel Platini, terem perdido as apelações dos veredictos que os baniram do esporte por violações éticas.

Uma série de reformas abrangentes, concebidas para evitar a corrupção na entidade que administra o futebol mundial, também irá a votação antes da eleição presidencial, e a expectativa é que seja aprovada. Entre elas estão limites aos mandatos de altos dirigentes e a divulgação de seus rendimentos.

Quem quer que substitua Blatter, que comandou a Fifa durante 17 anos como um chefe de Estado, irá herdar um cargo bem diferente, cujo foco estará no gerenciamento da crise. Dezenas de dirigentes de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, foram indiciados nos Estados Unidos no ano passado por extorsão, lavagem de dinheiro e suborno.

O xeique Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês), é o favorito das casas de aposta, e o secretário-geral da Uefa, Gianni Infantino, vem em um apertado segundo lugar.

Mas o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein acredita ainda estar no páreo, e o francês Jérôme Champagne e o sul-africano Tokyo Sexwale também esperam causar impacto.

Por ter sido afastado do futebol por seis anos, Blatter não pode comparecer ao Congresso da Fifa, mas muitos grupos e associações pediram seu conselho antes do pleito desta sexta-feira, de acordo com o suíço de 79 anos.

"Eu só respondi 'votem em quem vocês quiserem'", teria dito Blatter, segundo a edição desta sexta-feira do jornal suíço Aargauer Zeitung. Blatter, que nega qualquer má conduta, disse ter tido contato com todos os candidatos, menos o príncipe Ali.

(Reportagem adicional de Mike Collett, Brian Homewood e Joshua Franklin)

 
Delegado não identificado vota durante Congresso da Fifa em Zurique. 26/02/2016 REUTERS/Arnd Wiegmann