Brasil precisa dar a volta por cima para alcançar meta "difícil" de medalhas na Rio 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 14:48 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Principal nome da natação do Brasil para a Olimpíada do Rio de Janeiro, Cesar Cielo ainda não tem lugar garantido na competição que começa em menos de seis meses, em um sinal emblemático de que a reta final de preparação de algumas das principais esperanças de medalha do país tem decepcionado, colocando em risco o desempenho do Brasil nos Jogos.

Além do campeão olímpico dos 50m estilo livre em 2008, outros competidores fundamentais para o Time Brasil alcançar a meta de ficar pela primeira vez entre os 10 primeiros colocados no total de medalhas viveram momentos de fracasso no último ano, o que fez soar um alerta no Comitê Olímpico do Brasil (COB).

"Tivemos um ano de 2015 bem difícil", reconheceu em entrevista à Reuters o diretor-executivo do COB, Marcus Vinicius Freire, responsável por comandar a preparação do Brasil para os Jogos em casa. "Acendeu para a gente um sinalzinho amarelo: opa, temos que cuidar."

Desde que conseguiu um recorde de pódios em Londres-2012 com 17 medalhas (3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze), o Brasil tem como objetivo aumentar esse número para cerca de 27 medalhas no Rio. Para isso, aposta em voltar ao pódio nos esportes tradicionalmente vencedores, como judô, vôlei, vela e natação, e também conseguir pódios em modalidades menos badaladas, como boxe, canoagem e até tiro com arco.

Mas alguns dos nomes que carregam as maiores expectativas de bons resultados nos Jogos de agosto decepcionaram nas principais competições disputadas no ano anterior à Olimpíada, e terão de reverter essa situação para cumprirem o que se espera deles.

Único campeão olímpico da natação brasileira, Cielo abandonou o Mundial de Kazan em decorrência de uma lesão no ombro com apenas um 6º lugar nos 50m borboleta. Na volta às competições em dezembro, ele terminou apenas em 11º lugar e não conseguiu garantir vaga nos Jogos, e só terá mais uma chance para alcançar o índice olímpico, no Troféu Maria Lenk, em março.

O judô, carro-chefe do país em Londres com quatro medalhas, sendo uma de ouro, vai precisar se recuperar de uma campanha decepcionante no Mundial do Cazaquistão, em que terminou com apenas duas medalhas, ambas de bronze. Outro que terá de dar a volta por cima é o ginasta Arthur Zanetti, campeão nas argolas em Londres 2012, mas que não conseguiu se classificar para a final da prova no Mundial de Glasgow no ano passado.

Nos esportes coletivos, mais frustração nos principais eventos antes dos Jogos Olímpicos.   Continuação...

 
Cesar Cielo antes de prova em São Paulo em 2012. 24/08/2012 REUTERS/Paulo Whitaker