Crise política afeta imagem da Olimpíada do Rio, diz ministro do Esporte

quinta-feira, 7 de abril de 2016 15:41 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A crise política no país tem dificultado a divulgação da imagem positiva dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no Brasil e no exterior, embora não tenha afetado o cronograma de obras, disse nesta quinta-feira o ministro do Esporte, Ricardo Leyser.

“Felizmente a crise política e econômica não atrapalhou em nada a organização dos Jogos...passamos ilesos à entrega e operação”, afirmou ele após participar da cerimônia de entrega da Marina da Glória, local que será utilizado por velejadores que participarão dos Jogos de agosto.

“O que eu acho que a crise política atrapalha um pouco é a dificuldade de a gente mostrar para o Brasil e para o mundo o sucesso do projeto olímpico, que estamos entregando com muita antecedência, com muita participação privada e muita qualidade, sem denúncias e problemas, mas infelizmente, não conseguimos mostrar nesse momento conturbado politicamente um grande caso de sucesso”, acrescentou.

O ministro admitiu que das obras olímpicas o velódromo é a mais atrasada e preocupante, mas reforçou a certeza de que ficará pronta a tempo dos Jogos.

Leyser assumiu o Ministério do Esporte de forma interina no lugar de George Hilton, em 30 de março, após uma crise na base governista em meio a um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

“Quem tem mandato é quem é eleito como a presidente Dilma, que tem mandato até 2018. Nós, ministros e secretários, somos assessores e o que posso dizer é que se ficar uma semana no ministério, vou trabalhar por um mês e se ficar um mês vou trabalhar por 3 meses”, declarou ele.

O ministro, que é do PCdoB, acrescentou que a crise no país não deve afetar a venda de ingressos para os Jogos, mesmo com menos de 4 milhões vendidos até agora de um total de cerca de 7,5 milhões de bilhetes. Ele defendeu uma melhor política de divulgação de venda dos ingressos.

“Acho que a população precisa ser mais alertada sobre as oportunidades dos Jogos. Às vezes as informações são contraditórias porque acabaram ingressos, mas esses são os mais difíceis. E há outros ingressos com oportunidade de compra”, afirmou. “O brasileiro está acostumado com paradesporto mas não está acostumado a acompanhar ao vivo.“

Uma das alternativas para fomentar os Jogos Paralímpicos, segundo o ministro, é o governo comprar alguns bilhetes para levar crianças e jovens para o evento, a exemplo do que foi feito no Parapan de 2007, no Rio. A venda de ingressos para a Paralimpíada tem ficado bem abaixo das expectativas dos organizadores.   Continuação...

 
Ministro do Esporte, Ricardo Leyser (direita), ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na Marina da Glória, RJ.    07/04/2016    REUTERS/Ricardo Moraes