Dunga vê pressão como "normal" e diz ter convicção no trabalho

quinta-feira, 14 de abril de 2016 15:27 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A pressão sobre o técnico da seleção brasileira é natural e começa na disputa de par ou ímpar nos treinos, afirmou Dunga nesta quinta-feira, após uma onda de especulações de que estaria ameaçado no cargo por conta da má campanha do Brasil nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018.

“Aqui na seleção tenho que ter bom desempenho já no par ou ímpar do treinamento. É normal, tenho convicção no trabalho e seguir em frente”, disse Dunga a jornalistas durante sorteio dos grupos para a Olimpíada do Rio de Janeiro.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teria procurado recentemente pessoas próximas ao técnico Tite, do Corinthians, de acordo com reportagens, para sondar a possibilidade de trabalhar na seleção brasileira, mas o treinador teria declinado do convite.

Dunga minimizou as especulações sobre o seu futuro na seleção. “Para mim, isso (do Tite) é especulação… se ficar respondendo todo tipo especulação não vou trabalhar e vou ter que fazer uma novela“, declarou ele. “Isso não me incomoda."

O Brasil está fora da zona de classificação para a Copa da Rússia, em 2018, ao ocupar a sexta posição nas eliminatórias, e tem pela frente duas competições: a Copa América, em junho, e a Olimpíada, em agosto.

Um mau desempenho na Copa América poderia complicar a trajetória da comissão técnica. “Não sabemos e não pensamos nesse assunto”, declarou o coordenador Gilmar Rinaldi, que comentou sobre a postura dos jogadores.

“Jogador tem que gostar de pressão. Essa é a diferença entre um jogador e o grande jogador. O que encara, supera e vence é o que queremos na seleção. Nada como sentir uma pressão e um frio na barriga”, disse.

Na semana passada, o Barcelona, do atacante Neymar, comunicou à CBF que só vai liberar o jogador para uma das duas próximas competições, sendo que a Copa América é uma data Fifa e a Olimpíada depende da negociação com os clubes de jogadores convocados.

A eliminação do Barcelona da Liga dos Campeões na quarta-feira não é encarada na seleção como um facilitador da liberação de Neymar. “A gente tem que pensar aqui e o que acontece lá fora não é de grande importância. Temos que conversar com todos os clubes e buscar um entendimento com todos”, disse Rinaldi.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

 
Técnico Dunga durante evento no Rio de Janeiro.     14/04/2016     REUTERS/Ricardo Moraes