Há mais projetos ligados a Rio 2016 sob investigação do que revelado, diz procurador da Lava Jato

terça-feira, 19 de abril de 2016 15:16 BRT
 

Por Caroline Stauffer

CURITIBA (Reuters) - Há mais projetos ligados aos Jogos Olímpicos Rio 2016 sob investigação por suspeita de corrupção do que foi revelado até o momento, disse à Reuters um procurador federal da força-tarefa da operação Lava Jato, citando depoimentos de executivos de empreiteiras e acordos de leniência ainda em andamento.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que a suspeita de corrupção nas obras da Olimpíada do Rio não se limita à revitalização da região portuária, que deve ser um dos principais legados dos Jogos.

"Tem mais", disse Lima em entrevista em seu escritório em Curitiba na segunda-feira. "Existem colaborações e leniências em andamento que mencionam isso, mas enquanto não estiverem fechados os acordos você não tem o número certo."

A polícia já descobriu documentos de executivos da empreiteira Odebrecht que mencionam 1 milhão de reais em supostas propinas para o projeto do Porto Maravilha, e outros supostos pagamentos de suborno teriam relação com a linha 4 de metrô da cidade que está em construção para os Jogos.

Lima, um dos principais promotores da força-tarefa que descobriu o esquema de cartel de empreiteiras para obter contratos da Petrobras por meio de pagamento de propinas, afirmou que todas as investigações ligadas à Olimpíada estão sendo conduzidas em Brasília pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Isso se deve ao fato de envolverem possíveis propinas a políticos que teriam foro privilegiado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e fora da alçada do juiz federal do Paraná Sérgio Moro, o que provavelmente irá tornar a investigação mais lenta.

“A gente tem colaborado, trabalhamos juntos, mas uma coisa é o ritmo da 13ª Vara, outro é o Supremo”, disse Lima.

Procurada, a PGR não quis se pronunciar sobre o assunto.   Continuação...

 
Procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima em entrevista à Reuters em Curitiba. 23/06/2015 REUTERS/Rodolfo Buhrer