Sem árvores, Parque Olímpico é selva de pedra no Rio de Janeiro

terça-feira, 26 de abril de 2016 14:53 BRT
 

Por Andrew Downie

SÃO PAULO (Reuters) - Quando o Rio de Janeiro abriu o Parque Olímpico neste mês havia algo claramente ausente nas arenas, passarelas e áreas públicas onde visitantes irão se juntar para acompanhar 16 esportes em agosto: árvores.

A cidade-sede e a Aecom, companhia sediada na Grã-Bretanha que projetou o que está sendo chamado de "coração dos Jogos", prometeram uma área verde que fizesse jus ao nome Parque. A realidade é uma selva de pedra.

A razão? Pessoas.

"A opção de reduzir o número de árvores, comparado ao projeto original, é justificada pela necessidade de oferecer mais espaços abertos para circulação de espectadores", informou o órgão municipal encarregado da infraestrutura dos Jogos por e-mail.

O cenário cinza seria ameaçador em qualquer lugar, mas chama mais atenção por ser em uma cidade cercada por oceano, lagoas, mata e a Mata Atlântica.

A gerente brasileira do projeto disse que embora o parque tenha sido inaugurado pelo prefeito Eduardo Paes em 12 de abril, o trabalho não foi finalizado e mais flora será acrescentada para complementar os quase 6.400 metros quadrados de grama sintética.

"Talvez em nossa perspectiva haveria um pouco mais de verde", disse Nadja de Almeida, gerente de operações da Aecom, à Reuters.

"Mas ainda há algumas árvores chegando. Muitas estão em viveiros e chegarão somente em julho. Definitivamente haverá mais."

O parque custou cerca de 2,34 bilhões de reais e foi desenhado por uma equipe de 200 arquitetos, sendo 20 deles brasileiros. O Comitê Olímpico Internacional e o comitê organizador Rio 2016 tiveram a palavra final sobre o projeto.

Com nove arenas e 16 esportes, mais do que qualquer outro complexo, o Parque Olímpico será o ponto focal dos Jogos, com dezenas de milhares de pessoas esperadas todos os dias.

 
Vista aérea do Parque Olímpico, no Rio de Janeiro.   26/04/2016      REUTERS/Ricardo Moraes