Turbilhão político e apatia afetam Rio 2016 a 100 dias da Olimpíada

terça-feira, 26 de abril de 2016 15:57 BRT
 

Por Andrew Downie

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Há tempos o Brasil é visto como um país capaz de dar grandes festas, desde que os convidados não se incomodem de chegar a uma casa que ainda está sendo arrumada.

A 100 dias da abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro, uma nação conhecida por fazer as coisas na última hora se depara com uma situação nova: a organização não é o problema, e sim a grave crise política e uma certa apatia com relação aos Jogos de agosto.

"As pessoas não estão prestando atenção. Zero", disse Julia Michaels, moradora de longa data do Rio que fala sobre a cidade em seu blog Rio Real. "Ninguém está falando nada sobre isso porque há muitos outros assuntos sobre os quais falar."

Desta vez há poucos temores de que os locais de competição não estejam prontos. O problema é que a presidente Dilma Rousseff está lutando contra um impeachment, a economia está passando por sua pior recessão em décadas e os brasileiros estão ao mesmo tempo revoltados e focados em questões distantes da Olimpíada.

Quando o Rio de Janeiro conquistou o direito de sediar os Jogos em 2009, o Brasil era um dos queridinhos do mundo em desenvolvimento. A economia cresceu em um ritmo consistente durante a maior parte daquela década, 30 milhões de pessoas haviam saído da pobreza e o país assumia um papel maior na arena internacional.

Mas desde então a economia desmoronou e a presidente está prestes a ser afastada do cargo.

Estas questões estão dominando o país, e a Olimpíada praticamente desapareceu das manchetes dos jornais e dos noticiários da televisão. Em uma nação na qual o futebol é um dos assuntos prediletos, a política é o único jogo que tem rendido assunto.

"O Brasil está atravessando uma crise política, e a situação ainda tem que se definir", disse à Reuters a jogadora de vôlei de praia Agatha. "É natural que as pessoas estejam se concentrando nisso, mas não acho que os brasileiros se esqueceram da Olimpíada. Acho que só precisamos resolver a questão política e depois as atenções das pessoas irão se voltar ao esporte."   Continuação...

 
Parque Olímpico, no Rio de Janeiro.     11/04/2016       REUTERS/Ricardo Moraes