27 de Abril de 2016 / às 17:06 / um ano atrás

Na marca dos 100 dias, Rio aponta Velódromo como maior problema para Olimpíada

Vista aérea do Velódromo dos Jogos Rio 2016 25/04/2016 REUTERS/Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A 100 dias da abertura dos Jogos Rio 2016, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou nesta quarta-feira que o Velódromo ainda está com 85 por cento das obras executadas e continua a ser o maior problema da preparação da cidade para a Olimpíada.

Segundo Paes, serão necessários mais cerca de 30 a 40 dias de obras na instalação, mas o prefeito garantiu que não há risco para a conclusão a tempo para os Jogos. O evento-teste do ciclismo que estava programado para este mês, no entanto, foi cancelado devido aos atrasos na obra, que precisou da subcontratação de uma segunda construtora.

“O maior problema, o desafio e a obra que tivemos problemas e escorregou o prazo é o Velódromo”, disse Paes a repórteres em evento sobre os 100 dias na sede do comitê organizador Rio 2016.

”A pista está praticamente pronta. Temos 30 a 40 dias de obra intensa, mas estão dentro da programação e até um pouco adiantada na reprogramação”, acrescentou.

De acordo com o prefeito, o Parque Olímpico como um todo está 98 por cento finalizado. Além do Velódromo, outra arena não concluída ainda é o Centro Olímpico de Tênis, que se encontra em estágios finais.

“Falta arquibancada provisória, mas a arena principal foi testada. Está praticamente pronta”, disse.

Na abertura do evento para marcar os 100 dias, Paes lamentou o incidente com a ciclovia Tim Maia, em São Conrado, que desabou parcialmente na semana passada e deixou dois mortos. “Faltando cem dias, tem fatores que a gente não preferia que tivesse que enfrentar, que me entristece como o caso da ciclovia”, disse.

TURBULÊNCIAS

O Rio chegou nesta quarta à simbólica marca de 100 dias em meio a turbulências em diversas áreas, que vão desde investigações sobre obras ligadas ao evento até o Zika vírus.

Nesta semana será instalada na Câmara Municipal a CPI da Olimpíada, com o objetivo de investigar os contratos firmados entre a prefeitura e as construtoras com obras ligadas direta ou indiretamente aos Jogos.

“Queremos abrir essa caixa-preta”, disse à Reuters o vereador Jefferson Moura (Rede), autor do pedido de abertura da CPI, que vai investigar também o acidente na ciclovia inaugurada há pouco mais de três meses.

Na reta final de preparação até a abertura do Jogos, eventos-teste realizados recentemente revelaram uma nova preocupação: o fornecimento de energia, que registrou falhas nas provas de natação e ginástica.

Na cidade e no Estado também não param de crescer os casos de Zika vírus, dengue e febre chikungunya, além de haver avanço da gripe H1N1. O Zika, em especial, tem despertado temores em atletas e pessoas que virão ao país para acompanhar a Olimpíada devido a relação com casos de microcefalia em recém-nascidos, e os Estados Unidos recomendaram que gestantes evitem viajar para o Brasil.

Outra grande preocupação em grandes eventos na cidade é o fator segurança. Um esquema com mais de 80 mil homens foi montado para os Jogos.

No Estado, principalmente na capital, os índices de violência e criminalidade não param de subir, em meio a uma aguda crise financeira. No primeiro trimestre deste ano, os roubos de celulares subiram mais de 50 por cento ante igual período de 2015, enquanto os roubos a pedestres cresceram mais de 15 por cento e o roubo de veículos cerca de 20 por cento.

Além disso, segundo levantamento feito pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro, 11 operários morreram em obras que ficarão de legado para a cidade após os Jogos, embora a maioria não esteja diretamente ligada ao evento.

O prefeito reconheceu que não esperava chegar à reta final da preparação olímpica com tantos fatores externos negativos aumentando ainda mais a pressão sobre a Olimpíada.

Paes citou a crise política, que pode resultar no afastamento da presidente Dilma Rousseff antes da Olimpíada, e a recessão econômica, que afetam tanto o país quanto o Estado do Rio de Janeiro. Mesmo assim, o prefeito não vê prejuízos para a realização do evento.

“Tenho convicção de que a crise econômica não atrapalhou e não vai atrapalhar. A crise política não tem relação com as Olimpíadas”, afirmou.

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