12 de Maio de 2016 / às 02:27 / um ano atrás

Estado do Rio diz estar preocupado com efetivo da Força Nacional na Olimpíada

Membros do Bope participam de exercício de simulação de crise para os Jogos Olímpicos de 2016 11/02/ 2015. REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo do Estado do Rio de Janeiro manifestou preocupação com a segurança dos Jogos Olímpicos, principalmente com a liberação do total efetivo da Força Nacional de Segurança (FNS) previsto para o evento, em meio a problemas regionais, crise financeira e a iminente troca no comando do país.

Segundo o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, as sinalizações dadas pelo executivo federal sobre a liberação de agentes da Força Nacional têm sido pouco claras e imprecisas.

“Inicialmente estavam ventilando 9 mil homens, um número que eu acho ótimo, mas eu acho que não chega nem perto disso”, disse Beltrame a jornalistas nesta quarta-feira.

O governo federal reconhece a necessidade de um esforço no recrutamento dos homens da Força Nacional, mas garante que será mantido o planejamento original de empregar cerca de 9 mil agentes dessa tropa.

Uma fonte ligada à segurança dos Jogos afirmou que no momento menos da metade do contingente da Força Nacional previsto inicialmente tem presença garantida na Olimpíada. A Força Nacional é composta por policiais civis, militares, bombeiros, peritos e outros que ficam baseados em seus Estados.

“Muitos desses homens estão atuando em Estados do Sul e do Nordeste, que tem problemas regionais a serem resolvidos e que não garantem a liberação desses agentes. Hoje, pelos cálculos, não tem nem metade do efetivo garantido”, declarou a fonte, sob condição de anonimato. Nesse momento, a FNS participa de 40 operações em 15 Estados brasileiros.

O impasse ganhou um ingrediente político, a partir do iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff. O vice-presidente Michel Temer deve assumir nesta quinta-feira o governo interinamente.

“Há um temor, porque do jeito que o governo federal está, dificilmente alguém nos dá uma resposta concreta… a gente pergunta: Quando vai vir (a Força Nacional de Segurança)? Quando vai ser? E não tem uma resposta concreta”, disse Beltrame, que defende a permanência da equipe de segurança dos Jogos mesmo com a troca no governo.

Um dos líderes no plano federal do esquema de segurança para os Jogos, o secretário-extraordinário de segurança para grandes eventos do Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues, admitiu à Reuters uma certa dificuldade ao afirmar que há um “esforço para recrutamento” dos homens da Força Nacional de Segurança.

“O recrutamento da Força Nacional é sim hoje um grande desafio e há um esforço de todos os Estados colaborarem para que não haja contingência...até o momento não temos nenhum indicativo de necessidade de rever o que foi planejando”, afirmou ele.

“COBERTOR CURTO”

A três meses da Olimpíada, que começa em 5 de agosto, tanto o governo federal quanto o estadual enfrentam uma grave crise financeira, mas o secretário do Ministério da Justiça descartou influência na segurança do evento. “Sabemos das dificuldades que vivem o governo do Estado e federal, mas isso não tem impacto no quantitativo de operação que vamos empregar.”

“Esse é um custeio do Ministério da Justiça e nosso orçamento até o momento não sofreu contingenciamento”, acrescentou Andrei Rodrigues.

A Força Nacional de Segurança tem um papel fundamental na segurança dos Jogos e, pelo planejamento, vai atuar no interior de instalações esportivas e outros locais. A previsão do representante do Ministério da Justiça é que o primeiro efetivo da FNS com 600 homens chegue ao Rio nesta semana para o evento-teste de atletismo e ficará em definitivo na cidade até a Olimpíada.

Todo o esquema de segurança, incluindo Forças Armadas, polícia federal e agentes locais de segurança, deve reunir aproximadamente 85 mil homens -- 47 mil profissionais de segurança pública e 38 mil da Defesa.

O planejamento inicial previa o emprego de agentes privados de segurança nas instalações esportivas, mas a ideia foi abortada ao longo da preparação do esquema de segurança.

Nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, a empresa particular contratada para fazer a segurança do evento sofreu problemas financeiros às vésperas da Olimpíada, o que forçou o governo a convocar militares de última hora para realizarem o serviço.

“O cobertor do Rio de Janeiro para a segurança já é curto, e, se tiver que complementar o contingente da FNS, caso não venham todos, vai ter que tirar da rotina da cidade e do Estado. Aí complica. E se chamar a força de contingência, as Forças Armadas, tomo mundo sabe, quando eles entram, é para mandar e comandar e, não para se subordinar”, disse a fonte.

O comitê organizador dos Jogos descartou qualquer problema com segurança. ”Preocupação e inquietude zero. Temos total confiança”, destacou o diretor de comunicação da Rio 2016, Mario Andrada.

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