Kremlin diz que acusação de doping em atletas olímpicos é "calúnia traiçoeira"

sexta-feira, 13 de maio de 2016 10:52 BRT
 

Por Dmitry Solovyov e Andrew Osborn

MOSCOU (Reuters) - O Kremlin refutou nesta sexta-feira as alegações de que a Rússia usou um sistema sofisticado de doping na última Olimpíada de Inverno, realizada no próprio país, como uma calúnia traiçoeira, dizendo que o ex-diretor do laboratório de doping russo é um traidor.

Dois esportistas russos que o ex-chefe do laboratório Grigory Rodchenkov acusou de se doparem também negaram qualquer irregularidade, dizendo que as acusações são parte de uma campanha para manchar a reputação esportiva da Rússia. Desde então Rodchenko fugiu para os Estados Unidos.

A Rússia, que vem lutando para reverter a proibição de participação de seus competidores nas provas de atletismo da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, fez sua defesa depois que uma reportagem do jornal New York Times citou Rodchenkov admitindo ter organizado um programa de doping nos Jogos de Inverno de Sochi 2014 que envolveu pelo menos 15 medalhistas.

As alegações complicam os esforços russos para se distanciar de acusações prévias de que o Estado patrocinou a prática entre seus atletas, feitas por uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada), o que aumentou a pressão sobre o ministro dos Esportes, Vitaly Mutko, e deve tornar mais difícil para Moscou obter a suspensão do banimento até o início dos Jogos do Rio.

"Estas alegações parecem absolutamente infundadas", disse Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, aos repórteres em uma teleconferência nesta sexta-feira. "Elas não se sustentam em quaisquer dados confiáveis, não se apoiam em qualquer tipo de documento. Tudo isso parece simplesmente calúnia de um vira-casaca".

O Kremlin não mudou sua opinião de Mutko à luz das novas acusações, disse Peskov. Mutko, que ocupa o cargo desde 2008, classificou as alegações de "absurdas".

Indagado sobre a perspectiva de os atletas russos poderem competir no Rio, Peskov disse: "Esperamos que tudo dê certo".

Dois dos esportistas mencionados no New York Times, o esquiador de cross-country Alexander Legkov e o competidor de bobsled Alexander Zubkov, rejeitaram nesta sexta-feira as alegações contra ambos, que disseram ser "absurdas e caluniosas".

 
Bandeira nacional russa e bandeira olímpica durante evento em Sochi.      23/02/2014        REUTERS/Jim Young/