31 de Maio de 2016 / às 16:05 / um ano atrás

França tenta conter protestos contra reforma trabalhista antes do início da Euro 2016

Membros da CGT aguardam julgamento de funcionários da Air France perto de tribunal de Bobigny 27/5/2016 REUTERS/Gonzalo Fuentes

PARIS (Reuters) - O governo da França agiu nesta terça-feira para acalmar os protestos contra uma reforma da lei trabalhista antes do início do Campeonato Europeu de futebol que dura um mês, anunciando um aumento salarial para os professores e prometendo acelerar as conversas sobre reorganização com a estatal do setor ferroviário SNCF.

O gabinete socialista do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, está fazendo um apelo ao sindicato linha-dura CGT, que lidera uma greve de ferroviários nesta terça-feira, a propor saídas para o confronto decorrente de um projeto de lei que facilitaria contratações e demissões.

O presidente francês, François Hollande, disse que não irá recuar nos elementos centrais da reforma proposta. Mas na segunda-feira ele procurou impedir que uma série de insatisfações se transformassem em um movimento de protesto mais amplo restabelecendo o financiamento para pesquisas e prometendo dinheiro público para resolver uma disputa a respeito do seguro-desemprego de artistas.

Hollande também insinuou em uma entrevista ao jornal Sud-Ouest que irá anunciar um abrandamento nos cortes de financiamento estatal para autoridades locais quando discursar em um congresso de prefeitos nesta semana.

Nesta terça-feira o governo anunciou um aumento salarial para os professores no valor de 1 bilhão de euros até 2019, e diante da perspectiva de uma greve de ferroviários ainda na terça-feira disse que passou à frente dos dirigentes da SNCF para agilizar as negociações sobre uma reorganização.

“Precisamos acelerar as coisas”, disse o ministro dos Transportes, Alain Vidalies, à rádio France Inter, referindo-se à desavença que envenenou as relações com a estatal.

A direção da SNCF havia sido exortada a apresentar suas propostas finais de reorganização aos sindicatos até a próxima segunda-feira para ajudar a melhorar o ambiente.

A paralisação dos trens e os clamores por greves em outros setores do transporte no final desta semana criaram o espectro de um caos quando a França sediar a Euro 2016, entre 10 de junho e 10 de julho, quando cerca de 2,5 milhões de torcedores são esperados nas 51 partidas entre 24 times, incluindo 1,5 milhão de visitantes estrangeiros.

Embora Hollande tenha rejeitado a exigência do CGT para que a reforma trabalhista seja descartada, seus ministros disseram ter esperança de desarmar o conflito se o líder do CGT, Philippe Martinez, se mostrar disposto a isso.

Na manhã de segunda-feira, Martinez disse durante um debate na rádio RTL: “Vamos conversar de novo”, acrescentando que “não há pré-condição”.

Reportagem adicional de Richard Lough e Simon Carraud

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