Após Copa do Mundo tranquila, Brasil levanta a guarda contra terrorismo na Olimpíada

quarta-feira, 1 de junho de 2016 13:34 BRT
 

Por Paulo Prada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os ataques terroristas em Paris e Bruxelas e uma ameaça enviada por um suposto militante do Estado Islâmico pelo Twitter fizeram as autoridades repensarem o esquema de segurança no Brasil enquanto o país se prepara para receber a Olimpíada do Rio de Janeiro em agosto.

"Acendeu uma luz maior para o terrorismo", afirma o almirante Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, ressaltando os esforços para intensificar a cooperação com governos estrangeiros para monitorar tudo, desde uma ameaça coordenada de militantes até ataques individuais bem mais difíceis de detectar dos chamados "lobos solitários".

No período que antecede os Jogos, que começam em 5 de agosto, o Brasil vem se empenhando em compartilhar informações de inteligência, realizar treinamentos de segurança e até estabelecer instalações conjuntas de segurança.

Além de um centro policial colaborativo, que agentes de mais de 50 países irão ajudar a monitorar a segurança, o governo brasileiro criou um centro antiterrorismo internacional, com especialistas de países como Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Espanha.

"Teremos pessoas de todo o mundo para compartilhar melhor as informações e aconselhar umas às outras em suas respectivas áreas de domínio", diz Andrei Rodrigues, chefe da Secretaria Extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, do Ministério da Justiça.

Não significa que o Brasil não estivesse se preparando para o terrorismo antes, mas com a experiência de sediar eventos de grande porte, como Carnaval e a Copa do Mundo de 2014, as autoridades de segurança não o consideravam a maior de suas preocupações. Sem inimigos políticos ou histórico de guerras, e com poucos militantes locais para ameaçá-lo, o país se acostumou a ter que lidar primordialmente com os crimes urbanos e a violência cotidiana.

Mesmo durante o Mundial, realizado com sucesso em 12 cidades, o temor maior foi uma retomada das manifestações de rua que irromperam no país um ano antes por causa de problemas como a inflação e a corrupção.

Mas o Brasil tem suas vulnerabilidades. As vastas fronteiras de seu território, mais de 16 mil quilômetros compartilhados com 10 vizinhos, são mais do que cinco vezes o tamanho da fronteira norte-americana com o México. Grande parte se encontra em selvas remotas e sem proteção.   Continuação...

 
Favela refletida em óculos de militar durante sobrevoo realizado como parte de exercício de segurança para os Jogos Rio 2016. 06/04/2016 REUTERS/Ricardo Moraes