Fifa diz que Blatter e Valcke enriqueceram com aumentos de salário e bônus

sexta-feira, 3 de junho de 2016 12:23 BRT
 

Por Brian Homewood

ZURIQUE (Reuters) - O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter e o ex-secretário-geral da entidade Jérôme Valcke se envolveram em uma "tentativa coordenada" de enriquecer por meio de aumentos de salário e bônus da Copa do Mundo, disse a entidade que gerencia o futebol mundial nesta sexta-feira.

A Fifa informou que uma investigação interna revelou que os dois e um terceiro dirigente, o ex-diretor financeiro e ex-vice-secretário-geral Markus Kattner, receberam 80 milhões de dólares em recompensas ao longo de cinco anos.

A organização tenta se recuperar da maior crise de corrupção de sua história, na qual 42 pessoas, incluindo ex-membros do comitê executivo da Fifa e entidades foram indiciados nos Estados Unidos. Gianni Infantino foi eleito presidente em fevereiro e prometeu levar a Fifa para águas mais calmas.

O organismo disse ter compartilhado as informações sobre salários com a procuradoria-geral da Suíça e com o Departamento de Justiça dos EUA e que irá continuar a investigar.

Blatter não quis comentar as alegações, segundo seu porta-voz. Não foi possível entrar em contato com os outros dirigentes, o ex-secretário-geral Jérôme Valcke e o ex-diretor financeiro e ex-vice-secretário-geral Markus Kattner, de imediato para obter comentários.

A Fifa afirmou que o inquérito, realizado pela firma de advocacia Quinn Emanuel, revelou "indícios de violações de deveres fiduciários".

As descobertas são preliminares e dão ensejo a mais investigações, disse.

"Os indícios parecem revelar um esforço coordenado de três ex-dirigentes de alto escalão da Fifa de se enriquecer por meio de aumentos de salário anuais, bônus da Copa do Mundo e outros incentivos", disse Bill Burck, um dos sócios da Quinn Emanuel.

De acordo com a Fifa, antes de 2013 as pessoas que assinavam os contratos eram "em princípio" as mesmas que os aprovavam.

Também surgiram dúvidas sobre o subcomitê de recompensas que supervisionou os pagamentos de dirigentes a partir de 2013.

 
Notas de dinheiro falso em volta do ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, lançadas por um manifestante. REUTERS/Arnd Wiegmann