June 3, 2016 / 4:36 PM / a year ago

Judoca congolês refugiado no Rio vai disputar Jogos sob bandeira olímpica

4 Min, DE LEITURA

Judoca Popole Misenga, refugiado congolês no Rio, posa para foto perto de sua casa em favela carioca. 02/06/2016Pilar Olivares

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Quando andava sozinho pelas ruas da violenta República Democrática do Congo, o menino órfão Popole Misenga jamais poderia imaginar que alguns anos depois seria integrante da primeira equipe de refugiados a disputar os Jogos Olímpicos, justamente na cidade do Rio de Janeiro que adotou para viver.

"Nunca esperei isso. Agora está tudo bom", disse ele, de 24 anos, à Reuters, ainda com dificuldade para se expressar em português. “No Congo havia muita violência, muita guerra, muita confusão... Decidi ficar no Brasil para buscar uma vida melhor", acrescentou, em francês.

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Misenga chegou ao Rio de Janeiro em 2013 para disputar um campeonato de judô e viu na viagem a oportunidade de buscar um futuro melhor longe de seu país natal, onde a instabilidade política e os conflitos armados deixaram milhões de mortos nas últimas décadas --incluindo sua mãe, morta quando ele tinha apenas 8 anos.

Ao lado da compatriota e também judoca Yolanda Mabika, Misenga fugiu do hotel onde estava hospedado no Rio e passou por mais um período nas ruas na capital fluminense até encontrar abrigo em uma favela da zona norte carioca onde vive uma pequena comunidade de congoleses.

Depois de um período sobrevivendo à base de ajuda e de trabalhos informais, Misenga conseguiu se estabelecer como refugiado, se casou com uma brasileira --com quem tem um filho-- e reencontrou o judô, esporte ao qual foi apresentado no Congo como parte de um programa do governo para crianças órfãs.

“Foi uma época muito difícil (os primeiros meses no Brasil)... Não tinha casa, não tinha dinheiro para comida, estava faltando muita coisa na minha vida", disse o judoca, que atualmente mora em uma casa simples na mesma favela onde encontrou abrigo quando decidiu ficar na cidade.

No Rio, passou a treinar no Instituto Reação, criado pelo medalhista olímpico brasileiro Flávio Canto para levar a modalidade a comunidades carentes, e desde março passou a sonhar com a possibilidade de integrar a primeira equipe de refugiados a disputar os Jogos Olímpicos.

Misenga e Yolanda foram anunciados nesta sexta-feira pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como integrantes da equipe de refugiados composta por 10 atletas, ao lado de competidores da Síria, do Sudão do Sul e da Etiópia.

O time foi criado pelo COI para levar uma mensagem de esperança, no momento em que o mundo enfrenta uma das piores crises de refugiados do mundo, com milhares de mortes no Mediterrâneo em decorrência de naufrágios durante a travessia da África para a Europa.

"Esses refugiados não têm casa, não têm equipe, não têm bandeira, não têm hino nacional. Vamos oferecer a eles uma casa na Vila Olímpica junto com todos os atletas do mundo. O hino olímpico será tocado em sua homenagem e a bandeira olímpica irá conduzi-los ao Estádio Olímpico", disse o presidente do COI, Thomas Bach, ao anunciar os atletas em Lausanne, na Suíça.

"Será um símbolo de esperança para todos os refugiados do mundo, e vamos tornar o mundo mais ciente da magnitude dessa crise. Esses atletas refugiados vão mostrar ao mundo que, apesar das tragédias inimagináveis que eles enfrentaram, qualquer um pode contribuir para a sociedade por meio de seu talento, habilidade e força", completou Bach.

Reportagem adicional de Thales Carneiro

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