8 de Junho de 2016 / às 21:32 / em um ano

Paes cita falhas de governos federal e estadual em obra olímpica investigada pela PF

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), apontou falhas dos governos federal e estadual na obra do complexo olímpico de Deodoro, que é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de fraude.

Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante entrevista à Reuters. 04/08/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

Paes ressaltou que a obra de Deodoro, onde serão disputadas modalidades como hipismo, tiro, rúgbi, canoagem slalom e hóquei sobre a grama nos Jogos Rio 2016, era originalmente um compromisso do governo federal que passou para o Estado e, no fim, se tornou uma responsabilidade do município, a partir de 2014.

“Deodoro é tudo menos uma falha da prefeitura do Rio. A preparação das Olimpíadas começou há sete anos e o governo federal passou quatro anos sem fazer nada em Deodoro, depois passou para o governo estadual que ficou um ano parado e a prefeitura recebeu em 2014 para fazer a licitação e entregar em 2015”, disse Paes a jornalistas nesta quarta-feira.

”Essa obra de fato foi tocada em condições especiais… Vamos entregar no prazo, mesmo com a falta de planejamento”, avaliou o prefeito, que admitiu que o atraso fez com que a obra de Deodoro fosse contratada sem projeto executivo.

As suspeitas de irregularidades na obra forçaram o bloqueio de 128 milhões de reais que seriam destinados pela Caixa Econômica Federal ao pagamento do consórcio responsável pela construção de instalações olímpicas em Deodoro, formado pelas construtoras OAS e Queiroz Galvão.

Na terça-feira, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão nos escritórios do consórcio responsável por Deodoro e disse que “as investigações apontam para fraudes no transporte e na destinação dos resíduos sólidos, com a falsificação de documentos públicos e a oneração de custos”.

“Se se tirou menos terra do que estão dizendo aí, não se paga pelo serviço. Se for o volume correto, vai lá e paga”, declarou o prefeito.

Documentos sobre o volume transportado pelo consórcio também teriam sido fraudados para garantir o superfaturamento da cobrança pelo serviço. “Essa identificação que eles fizeram é essencialmente policial. O fiscal da obra não tem como verificar se a assinatura é falsa. Aí é um caso policial para identificar quem fez isso”, disse.

Segundo Paes, ajustes vem sendo feitos no projeto desde que a prefeitura assumiu a obra e a previsão é que seja feita uma economia de 20 milhões de reais nos gastos que estavam previstos desde a época da licitação das obras.

“Tiramos algumas coisas. O projeto original de Deodoro tinha um boulevard enorme numa área militar como é Deodoro, ou seja, não servia para nada só para os soldados marcharem e custaria milhões de reais”, explicou ele, ao reconhecer que o Comitê Olímpico Internacional (COI) chegou a ameaçar tirar a Olimpíada do Rio por conta da paralisia da obra de Deodoro.

Nos últimos dias, algumas obras ligadas ou estimuladas pelos Jogos apresentaram problemas na cidade. Recentemente, a recém-inaugurada ciclovia Tim Maia cedeu parcialmente e matou duas pessoas. No primeiro dia de operação experimental do VLT, nesta semana, houve problemas no fornecimento de energia e um trem parou, deixando muitos passageiros à pé. Além disso, o novo elevado do Joá, inaugurado há poucos dias, já está repleto de buracos na pista.

“O problema do Rio de Janeiro é que está fazendo muitas obras e entrega muito ao mesmo tempo e corre riscos. A ciclovia e os buracos são inaceitáveis”, avaliou ele.

Paes criticou ainda a decisão da Justiça Eleitoral de suspender a distribuição de cerca 550 mil ingressos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos sob argumento de que poderia configurar crime de uso da máquina pública em ano eleitoral.

De acordo com o prefeito, a ideia era popularizar os Jogos e evitar o clima elitista da Copa do Mundo. “Era algo com critério para alunos com boa nota, servidores municipais...são pessoas humildes e a Olimpíada não pode ser para rico, tem que ser para todos e gostaria de ver gente humilde e pobre. Teria horror de ver nos estádios só gente com cara de alemão e norueguês”, finalizou.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; edição de Tatiana Ramil e Eduardo Simões)

tatiana.ramil@thomsonreuters.com; 5511 56447765; Reuters Messaging: tatiana.ramil.thomsonreuters.com@reuters.net

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