Estudos encontram 'superbactérias' em praias e lagoa da Rio 2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016 19:27 BRT
 

Por Brad Brooks

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Cientistas encontraram "superbactérias" perigosas e resistentes a remédios em praias do Rio de Janeiro que irão sediar eventos de natação olímpicos e em uma lagoa onde atletas de remo e canoagem irão competir quando a Olimpíada de 2016 começar no dia 5 de agosto.

As descobertas, que afetam os pontos turísticos mais populares da cidade, aumentam e muito as áreas que se sabe estarem infectadas pelos micróbios encontrados normalmente em hospitais. Elas também aprofundam os temores de que as vias aquáticas do Rio, já infestadas pelo esgoto, não sejam seguras.

Um estudo publicado no final de 2014 mostrou a presença da superbactéria – classificada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) como uma ameaça de saúde pública urgente – em uma das praias da Baía da Guanabara, onde acontecerão provas de vela e windsurf.

Um novo estudo visto pela Reuters revelou a incidência de micróbios em cinco das praias mais procuradas do Rio, entre elas Copacabana, que sediará competições de natação em mar aberto e triatlo. As outras quatro são Ipanema, Leblon, Botafogo e Flamengo.

A superbactéria pode causar infecções urinárias, gastrointestinais, pulmonárias e na corrente sanguínea que são difíceis de tratar, além de meningite. Segundo o CDC, estudos mostram que a bactéria contribui para a morte de mais de 50 por cento dos pacientes infectados.     

Um estudo separado do laboratório da Fundação Oswaldo Cruz que será publicado no mês que vem pela Sociedade Americana de Microbiologia descobriu genes da super bactéria na lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, e em um rio que deságua na Guanabara.

Os dejetos de incontáveis hospitais, somados aos de centenas de milhares de lares, vão parar nas bocas de lobo, rios e córregos que se entrecruzam na metrópole – o que permitiu a proliferação da super bactéria fora dos hospitais nos últimos anos.

Renata Picão, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e principal pesquisadora do primeiro estudo, afirmou que a contaminação das praias mais famosas do Rio é resultado da falta de saneamento básico na área metropolitana de 12 milhões de pessoas.   Continuação...

 
Homem chuta bola enquanto sistema de esgoto flui na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. 09/06/2016 REUTERS/Sergio Moraes