14 de Junho de 2016 / às 20:57 / um ano atrás

OMS vê risco muito baixo de disseminação maior de Zika devido a Jogos Rio 2016

Mosquitos Aedes aegypti em laboratório em Campinas. 2/2/2016. REUTERS/Paulo Whitaker

GENEBRA (Reuters) - Há um risco muito baixo de uma disseminação internacional maior do Zika vírus devido aos Jogos Olímpicos de agosto no Brasil, que sofre um surto da doença ligada à microcefalia, disseram especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira.

O comitê emergencial da OMS para o Zika também reafirmou seu conselho anterior de que não deve haver restrições de viagem e comércio com países e áreas com transmissão do Zika vírus, incluindo o Rio de Janeiro, sede dos Jogos que acontecerão de 5 a 21 de agosto.

“Os riscos não são diferentes para pessoas que irão para a Olimpíada do que para qualquer outra área onde há surtos de Zika”, disse o presidente do comitê de especialistas da OMS, David Heymann, a repórteres na sede da OMS em Genebra, após o encontro.

A terceira reunião de especialistas independentes ocorreu em meio a preocupações sobre a realização dos Jogos Olímpicos no Rio. Autoridades brasileiras confirmaram mais de 1.500 casos de microcefalia, uma má-formação cerebral, em bebês cujas mães foram expostas ao Zika vírus durante a gravidez.

A OMS recomendou que grávidas evitem viagens para regiões onde há surto de Zika e que os homens infectados ou expostos ao vírus pratiquem sexo seguro ou se abstenham por até seis meses.

O comitê da OMS disse que o Brasil deve “continuar o seu trabalho”, intensificando as medidas de controle do mosquito transmissor do vírus, especialmente em torno de locais dos Jogos, e “assegurar a disponibilidade suficiente de repelente de insetos e preservativos para atletas e visitantes”.

Os especialistas decidiram não fazer recomendações contra viagens não-essenciais às áreas afetadas por Zika, mas afirmaram que os viajantes devem tomar medidas de proteção para reduzir os riscos. Eles observaram que o Brasil está entrando nos meses de inverno, quando a transmissão é menor.

“Os especialistas reconheceram que não havia razão para diminuir as viagens para estas regiões. O importante (é) que as pessoas compreendam o risco individual que elas correm quando vão para essas áreas. O risco de propagação internacional não é uma preocupação significativa”, disse Heymann.

O painel para pesquisa e desenvolvimento de produtos para combater o Zika vírus foi “decepcionante”, afirmou o diretor de Surtos e Emergências de Saúde da OMS, Dr. Bruce Aylward.

Cerca de 30 novas ferramentas de diagnóstico estão no radar, disse ele, acrescentando que “infelizmente não se pode dizer o mesmo de vacinas, para a qual a linha do tempo vai ser muito maior, em dezenas de meses, em vez de meses”.

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