A 50 dias da Rio 2016, Abin revela conta em português em aplicativo sobre Estado Islâmico

quinta-feira, 16 de junho de 2016 20:05 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Equipes de inteligência que atuam próximas ao plano de segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro detectaram a abertura de uma conta em português em um aplicativo de mensagens para a troca de informações sobre o Estado Islâmico, confirmou nesta quinta-feira a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A Abin, no entanto, não deu detalhes sobre o eventual monitoramento dos usuários da conta no Telegram.

“Entendemos que a abertura de uma conta pode ser a abertura de uma porta para que brasileiros sejam radicalizados”, disse uma fonte próxima ao assunto.

A suspeita de autoridades é que a conta poderia ser usada para recrutar algum brasileiro para atuar em nome do grupo no país. A partir de 5 de agosto, o Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos e a cerimônia de abertura deve reunir cerca de 100 chefes de Estado.

“Não há risco (de ataque)”, afirmou à Reuters o superintendente regional da Abin no Rio de Janeiro, Frank Oliveira.

O SITE, grupo que monitora ameaças de grupos militantes islâmicos na Internet, disse em 7 de junho que simpatizantes do Estado Islâmico divulgaram mensagens no aplicativo Telegram pedindo que pessoas que falam português se juntassem a uma "equipe de tradutores".

Não foi a primeira vez que a Abin revelou uma possível ameaça ao Brasil envolvendo o Estado Islâmico, grupo radical que tem realizado atentados e assumiu responsabilidade pelos ataques do ano passado em Paris, que deixaram 130 mortos. Em abril, a agência disse ter detectado a autenticidade de um perfil do Twitter em que o francês Maxime Hauchard, integrante do Estado Islâmico, afirma que o Brasil seria o próximo alvo.

O secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, condenou o vazamento desse tipo de informação, porque causaria um alarde desnecessário.   Continuação...

 
Vista aérea do Parque Olímpico no Rio de Janeiro. 25/4/2016.  REUTERS/Ricardo Moraes