22 de Junho de 2016 / às 23:47 / um ano atrás

Velejadores brasileiros dizem que preocupação com água do Rio é exagerada

Robert Scheidt durante treino no Rio de Janeiro. 22/6/2016. REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A última coisa que os representantes da equipe de vela olímpica do Brasil querem falar é sobre a água.

Apresentados à imprensa internacional como equipe pela primeira vez nesta quarta-feira, os velejadores ficaram desconfortáveis com perguntas sobre superbactérias resistentes e vírus perigosos encontrados em locais onde serão disputados esportes aquáticos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A maioria dos 15 atletas tentou redirecionar a conversa para falar sobre a história da vela brasileira e como tirar proveito do que pode oferecer a combinação mais desafiadora de uma Olimpíada, com ventos, correntes e condições das ondas.

“Para nós (a poluição) não é importante”, disse Martine Grael, capitã do Brasil na classe 49erFX.

Ela é considerada uma das maiores esperanças de medalha do Brasil no esporte. Com a companheira Kahena Kunze, Martine venceu o Campeonato Mundial da 49erFX em 2014 e ficou em sexto em 2016.

“Estamos focadas em evitar erros na raia. É um dos locais mais difíceis no mundo”, afirmou Martine, filha do bicampeão olímpico Torben Grael.

Os trajetos dentro da baía estão sujeitos a ventos traiçoeiros e marés fortes e variadas.

“Para ganhar uma medalha aqui você tem que ser um velejador completo”, disse Robert Scheidt, que irá representar o Brasil nos Jogos Olímpicos pela sexta vez. “Você tem que ser capaz de velejar em uma ampla gama de condições.”

Pressionado a falar sobre a qualidade da água, Scheidt, ganhador de duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze em cinco Jogos, disse que o perigo havia sido exagerado.

“Velejei aqui muitos anos, mais que 25 anos ... Nunca tive problema, nenhuma infecção ou gastrointerite. Pode ser que atletas que nunca tinham velejado aqui sofreram alguma coisa. Acho que no geral não há perigo”, afirmou ele, que está retornando para a classe Laser após duas Olimpíadas na classe Star.

Apesar da preocupação sobre esgoto e poluição na Baía de Guanabara, Scheidt está mais preocupado com o lixo flutuante que poderia distorcer a competição. Mas ele destacou que no Rio a vela estará perto de espectadores, o que é bom para a visibilidade do esporte. Muitas vezes a vela olímpica tem sido relegada a lugares longe da cidade anfitriã.

“Sempre vai ter uma polêmica em Olimpíadas ...em Sydney eram tubarões que iriam atacar os triatletas, em Atenas era medo de terrorismo, em Pequim foi a poluição da cidade. Aqui estão falando nestas questões da água e da Zika. Mas acho que não pode ser uma coisa para impedir a realização de grandes Jogos Olímpicos”, disse Scheidt.

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