Sonho de atletas, medalhas da Rio 2016 levarão sucata reciclada para o pódio

terça-feira, 28 de junho de 2016 20:36 BRT
 

Por Caio Saad

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Restos de espelho e chapas de raio X passam longe do pensamento de um atleta quando imagina como seria o momento de auge da carreira, mas essas sucatas estarão presentes no pódio dos Jogos Rio 2016 em forma de medalha olímpica, objeto máximo de desejo dos competidores esportivos do mundo todo.

Produzidas pela Casa da Moeda do Brasil, as 5.130 medalhas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio foram desenvolvidas em um parceria com o Comitê Organizador Rio 2016 com a promessa de serem as mais sustentáveis da história olímpica.

"Verificamos algumas possibilidades que foram efetivamente realizadas, sendo elas o ouro 100 por cento isento de mercúrio em sua extração, e a prata, em que 30 por cento é de origem de reciclagem", disse à Reuters o superintendente de Meio Ambiente e Qualidade da Casa da Moeda, Marcos Pereira, em entrevista no local de produção das medalhas, na zona oeste do Rio, nesta terça-feira.

Segundo Pereira, a ideia é estimular grandes empresas a trabalharem com ouro que atenda aos critérios de sustentabilidade, uma vez que o mercúrio no ouro pode contaminar o ambiente e populações ribeirinhas, assim como a cadeia alimentar, gerando doenças e possíveis problemas ambientais.

A principal matéria-prima das medalhas de ouro é a prata, que vem de resíduos de espelhos, desembaçadores de para-brisas de carros, soldas ou até mesmo chapas de raio X, e passa por processos de extração, fundição e purificação durante o processo de reciclagem.

Com 92,5 por cento de pureza, a prata recebe um acréscimo em sua composição metálica de 6 gramas de ouro, de 99,9 por cento de pureza, tornando-se então da cor que representa os vitoriosos dos Jogos.

O cobre, utilizado nas medalhas de bronze, também é de origem reciclada, nesse caso de materiais da própria Casa da Moeda.

Separadas em lotes divididos por ouro, prata e bronze, as medalhas levam no mínimo 48 horas para serem feitas, em um processo quase artesanal. Equipes se revezam em turnos de trabalho de 24 horas por dia.   Continuação...

 
Funcionário da Casa da Moeda mostra medalha da Rio 2016.  28/6/2016.  REUTERS/Sergio Moraes