Difícil de metrô, pior de ônibus: chegar ao Parque Olímpico pode ser prova de obstáculos

terça-feira, 5 de julho de 2016 08:20 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Chegar ao coração dos Jogos Rio 2016 deverá ser uma tarefa desafiadora para turistas e torcedores cariocas mesmo se a ampliação do metrô da cidade estiver em operação, mas a maratona pode ser ainda pior se as autoridades tiverem que recorrer a um plano B sem metrô que ampliará o número de ônibus nas ruas e poderá paralisar o trânsito.

Projetada para levar o sistema metroviário à Barra da Tijuca, que concentra a maior parte das instalações esportivas, a Linha 4 tinha previsão de conclusão no dia 1º de julho, mas atrasos provocados por problemas técnicos na obra e falta de recursos adiaram a abertura para 1º de agosto, apenas quatro dias antes da cerimônia de abertura.

Se inaugurado, o metrô olímpico funcionará apenas de forma limitada, tanto em capacidade quanto em intervalo dos trens, o que pode deixar torcedores esperando por longos períodos. Além disso, só chegará à entrada da Barra, a cerca de 15 km do Parque Olímpico, um trecho de quase 30 minutos que precisará ser concluído por meio do corredor de ônibus conhecido como BRT.

A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos nesta terça-feira, ainda não é possível saber com certeza qual será tempo real do trajeto completo, com ou sem metrô, o que só será conhecido de fato em 1º de agosto, quando os primeiros passageiros realizarem a viagem.

"Como está hoje, se inaugurar, a estação da Barra só vai funcionar de forma precária, só para a família olímpica. Com essa situação, não vai ter impacto positivo nenhum", avaliou o engenheiro de transportes Marcus Quintella, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Estão preparando uma situação paliativa, que é a extensão de BRT, que é uma das coisas mais absurdas do projeto."

Além da capacidade limitada e da necessidade de integração com ônibus, a operação do metrô pode não ser totalmente segura durante a Olimpíada devido a uma redução no período de testes decorrente de atrasos, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado do Rio. Segundo o tribunal, a previsão inicial era que a fase de testes deveria durar cerca de um ano, mas o período foi encurtado para apenas dois meses.

R$10 BILHÕES E 6 ANOS   Continuação...

 
Trilho da nova linha do metrô do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca.  04/07/2016       REUTERS/Ricardo Moraes