Sem principais golfistas e com polêmica sobre campo, volta do golfe aos Jogos é marcada por discórdias

quarta-feira, 20 de julho de 2016 10:30 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Para recepcionar a volta do golfe às Olimpíadas após 112 anos, o Rio de Janeiro construiu um campo com a promessa de oferecer o que há de melhor aos astros de um dos esportes mais elitistas do mundo, mas em vez de tacadas "hole in one" terá pela frente a ausência dos principais golfistas e uma batalha judicial por acusações de dano ambiental e outras irregularidades.

O retorno do golfe foi decidido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2009, na mesma reunião que escolheu o Rio como sede dos Jogos deste ano, impondo aos organizadores a necessidade de disponibilizar um campo de 18 buracos para a competição pela primeira vez desde os Jogos de St. Louis 1904.

A intenção era levar à Olimpíada o glamour do esporte, que acabou se tornando mais um motivo de polêmica em Jogos já marcados por crises que vão da poluição na Baía de Guanabara ao medo de contaminação pelo Zika vírus.

"Não sei se o golfe tem espaço na Olimpíada atualmente. Sem ofensas às Olimpíadas, mas eu prefiro estar no time da Ryder Cup", disse o golfista norte-americano Zach Johnson este mês, citando sua preferência por disputar a versão para o golfe da Copa Davis de tênis em vez das Olimpíadas.

Esperando os astros milionários, o Rio construiu um novo campo de golfe que invadiu uma área de 58 mil metros quadrados de um parque natural da Barra da Tijuca, bairro que será o coração dos Jogos que acontecem de 5 a 21 de agosto.

À questão ambiental, se soma o fato de a obra ter sido viabilizada por meio de uma alteração da legislação urbanística da área para beneficiar os investidores privados que bancaram a construção do campo estimado em 60 milhões de reais, o que levou o Ministério Público a acionar a Justiça contra o projeto.

Os organizadores dos Jogos, no entanto, foram surpreendidos nas últimas semanas por uma nova polêmica: uma série de desistências de grandes nomes do esporte, entre eles os quatro primeiros do mundo. Jason Day, Dustin Johnson, Jordan Spieth e Rory McIlroy citaram preocupações com a saúde, principalmente relacionadas à Zika.

"Lamento profundamente que aquele espaço destinado à conservação tenha sido objeto de transformação tendo como objetivo os Jogos Olímpicos, e agora se vê uma dupla derrota para a cidade, esportiva e ambiental", disse à Reuters o promotor Marcus Leal, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro.   Continuação...

 
Vista aérea do campo de golfe dos Jogos Rio 2016 e do Parque Natural de Marapendi. 20/07/2016 REUTERS/Ricardo Moraes