Rio 2016 pode brilhar, mas não apagará problemas da cidade

quarta-feira, 20 de julho de 2016 15:04 BRT
 

Por Paulo Prada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Do outro lado de uma rua movimentada em frente ao estádio do Maracanã, que sediou duas finais de Copa do Mundo e que no mês que vem recebe a cerimônia de abertura da primeira Olimpíada da América do Sul, se ergue o complexo de concreto robusto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Mas a universidade, pioneira por oferecer bolsas a estudantes de baixa renda e de minorias, não vem desfrutando das mesmas benesses governamentais que o estádio emblemático, que desde 2010 recebeu mais de 1,2 bilhão de reais de recursos públicos para a reforma necessária para o Mundial e os Jogos Olímpicos.

Enquanto as luzes do Maracanã são testadas para a abertura do dia 5 de agosto, o lixo se acumula no campus, no qual 23 mil alunos estão sem aulas desde março por causa do atraso nos pagamentos de professores, fornecedores e funcionários da universidade.

O hospital universitário próximo, que é um centro regional de transplantes e tratamentos de câncer, anda tão carente de verba que este ano com frequência os médicos reduziram os tratamentos por falta de seringas, luvas de látex, medicamentos de quimioterapia e antibióticos.

"Nunca foi tão precário", disse o diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Edmar Santos, explicando que os cortes no orçamento estadual fazem com que, em certos dias, suas instalações atendam menos da metade dos pacientes que normalmente trataria.

Duas semanas antes do início da Olimpíada do Rio, a recessão e a crise fiscal estão prejudicando e muito as vidas das mais de 12 milhões de pessoas que vivem na metrópole e seus arredores, o que gera ressentimento em vista dos cerca de 40 bilhões de reais gastos nos projetos olímpicos.

Aposentados e funcionários do Estado, entre eles professores, profissionais de saúde e policiais, vêm recebendo salários atrasados, quando recebem.

Muitos moradores estão insatisfeitos com o fato de o chamado legado olímpico, que inclui uma nova linha de metrô e corredores de ônibus, representar poucos benefícios para a maioria da população, e em vez disso privilegiando ainda mais os bairros mais abastados.   Continuação...

 
Soldados patrulham Maracanã em teste para cerimônia de abertura da Rio 2016. 17/7/2016. REUTERS/Ricardo Moraes