Polícia prende grupo suspeito de preparar atos de terrorismo a 15 dias da Olimpíada

quinta-feira, 21 de julho de 2016 15:12 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu e Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira 10 pessoas de uma suposta célula amadora do grupo jihadista Estado Islâmico que realizava atos preparatórios de terrorismo no Brasil, em uma operação inédita no país deflagrada a 15 dias da cerimônia abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro.

A chamada operação Hashtag foi realizada a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos dos suspeitos, que passaram de uma fase inicial de declarações via internet a realizar atos preparatórios para possíveis atentados, como treinamentos de artes marciais, armamentos e tiro, de acordo com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

"Houve um primeiro contato comprovado com o Estado Islâmico, contato não pessoal, contato via internet, o juramento. Na sequência, houve uma série de atos preparatórios, e em um determinado momento esse próprio grupo deixou de entender que o Brasil seria um país neutro... e passou a entender que em virtude da Olimpíada o Brasil poderia eventualmente se tornar em um alvo", disse Moraes em entrevista coletiva sobre a operação em Brasília.

Segundo o ministro, a suposta célula era "absolutamente amadora, sem nenhum preparo", mas qualquer ato de terrorismo, "por mais insignificante que seja", terá uma resposta rápida das autoridades de segurança.

Como parte da operação, foram expedidos 12 mandados de prisão temporária pela Justiça Federal do Paraná, dos quais 10 foram cumpridos em 10 Estados diferentes nesta manhã. Dois suspeitos ainda não foram detidos. Segundo a Justiça, o processo tramita sob sigilo e não serão divulgadas informações a respeito dos suspeitos.

"Informações obtidas, dentre outras, a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos, revelaram indícios de que os investigados preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos", disse a Justiça Federal em comunicado.

A informação repassada pelo ministro da Justiça foi de que a célula vinha sendo acompanhada desde abril. Fontes da Polícia Federal, no entanto, revelaram à Reuters que o grupo estava na mira da Polícia há cerca de um ano, e a atividade se acelerou nos últimos meses.

Há cerca de três meses a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entrou na investigação, e chegou a revelar que um grupo usava o aplicativo Telegram para trocar informações.   Continuação...

 
Militar patrulha cerca de segurança do lado de fora do Parque Olímpico do Rio de Janeiro
21/07/2016 REUTERS/Fabrizio Bensch