Paradoxo em regra de doping tira delatora russa Stepanova da Rio 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016 12:34 BRT
 

Por Karolos Grohmann

(Reuters) - Yulia Stepanova, a principal delatora do escândalo de doping da Rússia que quase levou o país a ser completamente excluído dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ficará de fora da competição após a corredora ter sido descartada por causa de seu passado envolvendo doping, em uma decisão considerada polêmica.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) convidou a corredora de meia-distância e seu marido a presenciarem os Jogos no mês que vem como convidados, mas negou a ela um lugar como competidora nos Jogos do Rio, argumentando que seu passado manchado por doping a tornou inelegível. 

Stepanova, que forneceu provas sobre o esquema de doping em uma série de documentários da emissora alemã ARD, deixou a Rússia e agora vive escondida em um local não revelado na América do Norte, temendo por sua segurança. 

Ela foi liberada para competir no Rio como uma atleta neutra pela Associação Internacional de Federações Atléticas e recebeu elogios por revelar um dos maiores escândalos de doping em décadas.

No entanto, o COI decidiu, no domingo, que qualquer atleta russo com passado de doping, incluindo Stepanova, não teria permissão de competir no Rio.

“A junta executiva aprecia o fato de ela ter se manifestado e ela e seu marido, que também teve um papel importante, estão sendo chamados para os Jogos Olímpicos como convidados do COI”, disse o presidente da entidade, Thomas Bach. 

Infelizmente, ela não pode competir devido a seu histórico de doping, acrescentou Bach. 

A decisão é polêmica, considerando que parte da Carta Olímpica que proíbe atletas sancionados de participarem de jogos futuros, conhecida como “Regra de Osaka”, foi derrubada pela Corte de Arbitragem Esportiva em 2011. 

Ao tomar a decisão, a corte argumentou que não poderia haver punição dobrada para atletas já sancionados. Essa decisão vai permitir que muitos violadores de regra do passado de todo o mundo, incluindo atletas de elite dos EUA, participem dos Jogos no Rio. 

Embora haverá mais discussões sobre o veredicto do COI nas próximas semanas, é improvável que muitos russos levem seu caso para a corte de arbitragem faltando apenas 10 dias para a abertura dos Jogos, em 5 de agosto.