27 de Julho de 2016 / às 17:22 / em um ano

Judô assume responsabilidade de ser carro-chefe do Brasil na Rio 2016

Judoca brasileira Mayra Aguiar comemora vitória no Grand Slam de Paris. 7/2/2016. REUTERS/Charles Platiau

SÃO PAULO (Reuters) - Apontada como umas das principais esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos do Rio, a equipe de judô se diz preparada para corresponder às expectativas e ajudar o país a atingir sua meta de pódios em casa, e aposta principalmente nas mulheres para superar seu melhor resultado em Olimpíadas.

O objetivo do judô brasileiro na Rio 2016 é ultrapassar as quatro medalhas conquistadas em Londres 2012 e para isso conta com um time formado por 14 atletas que tiveram a melhor preparação olímpica na história da modalidade, de acordo com o gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson.

“A pressão para nós é uma forma positiva de produtividade, porque se existe pressão, como falam que o judô é o carro-chefe do esporte brasileiro, é porque existe confiança no trabalho realizado, então a gente potencializa isso como uma coisa positiva. Não como uma forma de pressionar o atleta de ter que ganhar, mas de estar preparado para vencer”, disse Wilson em entrevista à Reuters.

O dirigente afirmou que o investimento na equipe de judô foi de 20 milhões de reais só em viagens nos últimos quatro anos, vindos de patrocinadores, do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que aposta no judô como uma das modalidades com maior potencial de ajudar o país a alcançar o almejado 10º lugar no total de medalhas.

O judô brasileiro tem 19 medalhas olímpicas, sendo três de ouro, e só perde para o vôlei --juntando quadra e praia--, com 20, no número total de medalhas entre as modalidades do país. O judô também sobe ao pódio há oito edições dos Jogos, desde Los Angeles 1984.

No último ciclo olímpico, o Brasil teve um bom desempenho, com sete atletas que subiram em pódios de campeonatos mundiais, sendo duas delas campeãs: Rafaela Silva (2013) e Mayra Aguiar (2014), que também foi medalhista de bronze em Londres 2012.

“É natural que eu seja apontada como uma das candidatas à medalha, mas eu estou consciente que ninguém ganha nada na véspera. Tem que chegar no dia bem e lutar”, disse Mayra, por email, à Reuters.

“É claro que sempre dá um friozinho na barriga antes da Olimpíada, que é a competição mais importante sempre, mas estou acostumada a isso. A pressão maior para conquistar um bom resultado sempre vai vir de mim mesmo. Ninguém quer mais do que eu essa medalha.”

De acordo com o dirigente da CBJ, há uma expectativa maior para os resultados das mulheres. “A equipe feminina nesse ciclo olímpico teve um resultado mais consistente do que o masculino, então tudo aponta para que o feminino possa ter um resultado muito bom”, declarou Wilson.

EQUIPE MILITAR

Todos os 14 atletas que vão representar o judô brasileiro na Rio 2016 são militares que integram o Programa Atletas de Alto Rendimento do Ministério da Defesa e, portanto, podem prestar continência em caso de pódio.

“É uma livre iniciativa do atleta, não tem nenhum tipo de recomendação (da CBJ)”, disse Wilson, que considera positiva a ajuda das Forças Armadas, para dar mais “tranquilidade” aos atletas.

Medalhista de prata em Sydney 2000 e de bronze em Pequim 2008, Tiago Camilo, que é sargento do Exército, afirmou que às vésperas de sua quarta Olimpíada busca controlar a ansiedade.

“Aquilo pelo qual a gente tanto esperou nesses quatro anos está tão perto, a ansiedade bate e você precisa saber controlar para chegar bem no dia da luta”, disse o judoca de 34 anos, em comunicado.

A partir desta semana, todos os judocas estarão concentrados na base de treinamento em Mangaratiba para os últimos acertos para a Olimpíada e, como em 2012, a seleção de judô ficará fora da Vila Olímpica durante a aclimatação para evitar distrações. Cada atleta só entrará na vila dois dias antes de competir.

Para a equipe de judô, disputar a Olimpíada em casa acarreta só fatores positivos, ao contrário de algumas modalidades, que citam a pressão da torcida como algo que pode atrapalhar.

“Nosso retrospecto em casa, como foi no Mundial de 2007 e de 2013, os grand slams, o Pan de 2007, é de excelentes resultados. Isso é uma coisa que pesa muito. Enquanto alguns esportes falam em pressão, o judô tem convivido bem com a torcida”, explicou Wilson.

Mayra diz que gosta de competir em casa. “Aumenta a pressão e a responsabilidade, mas eu me sinto muito bem. O judô brasileiro, de modo geral, vai melhor quando participa de uma competição no Brasil.”

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below