COI alertou organizadores da Rio 2016 há 5 anos sobre contratos de construção, mostram documentos

quinta-feira, 28 de julho de 2016 19:06 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) alertou os organizadores das Olimpíadas no Rio de Janeiro cinco anos atrás que os contratos de construção que eles firmaram poderiam incentivar os empreendedores a tentar economizar no processo, pressagiando os problemas com os alojamentos de atletas que provocaram reclamações de diversos países nesta semana, mostraram documentos.

A Prefeitura do Rio de Janeiro, responsável pela grande maioria dos projetos de infraestrutura dos Jogos, usou parcerias público-privadas, ou PPPs, para conseguir que empresas cobrissem os custos da construção das instalações em troca de permissão para construir imóveis nos locais.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, tem se orgulhado do fato de que 57 por cento dos quase 40 bilhões de reais gastos nas Olimpíada ter vindo do setor privado, por meio do uso de PPPs em escala nunca vista antes dos Jogos.

Mas críticas emergiram nesta semana sobre a qualidade dos prédios da Vila Olímpica, financiada pelo setor privado, com a Austrália dizendo que o alojamento “não estava seguro ou pronto”, e outros países como Itália, Argentina e Nova Zelândia também manifestando preocupações.

Em documentos vistos pela Reuters, o COI disse à prefeitura em 2011 que era preciso monitorar de forma cuidadosa os seus parceiros porque eles poderiam prestar mais atenção nos seus interesses comerciais do que em entregar projetos olímpicos no prazo e com boa qualidade.

“A cidade reconhece que o contratante da PPP muito provavelmente tem dois objetivos básicos: maximizar o valor do terreno e entregar as instalações ao menor custo”, afirmou o COI em um dos documentos de avaliação dos planos de infraestrutura para os Jogos, visto pela Reuters após um pedido com base no direito à liberdade de informação.

“A cidade precisa ser diligente para assegurar que as obrigações dos Jogos sejam totalmente cumpridas”, declarou o COI.

Nem a Prefeitura do Rio e nem o COI responderam aos pedidos para comentar as informações.   Continuação...