Armas, câmeras e grades: segurança é preocupação central de laboratório antidoping do Rio

sexta-feira, 29 de julho de 2016 16:44 BRT
 

Por Pedro Fonseca e Paulo Prada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Cercado por uma grade de metal alta e vigiado por militares armados com fuzis, o laboratório responsável pelos exames antidoping dos Jogos Rio 2016 montou um forte esquema de segurança para tornar "impossível" qualquer tentativa de violar as amostras e testes da Olimpíada, diante da enorme preocupação internacional com o tema após o escândalo envolvendo a Rússsia.

O Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) considera a proteção seu principal desafio para a operação antidoping da Olimpíada, uma vez que conseguiu solucionar problemas técnicos que provocaram a suspensão antes dos Jogos.

Liberado este mês, o laboratório agora está totalmente operacional e pronto para a Olimpíada que começa dia 5 de agosto.

"O maior desafio que o LBCD tem hoje não é tecnológico nem técnico", disse o diretor da instalação, Francisco Radler, em entrevista à Reuters realizada do lado de fora do prédio de cinco andares, exatamente por limitação de acesso ao local devido à segurança.

"Agora é o laboratório não só poder demonstrar que tecnicamente vai estar na melhor condição possível para um laboratório no momento, mas tem também que demonstrar que aqui será impossível que aconteça algo como ocorreu no laboratório da Rússia", acrescentou.

Antes concentrada principalmente em descobrir as técnicas de dopagem dos atletas, a luta contra o uso de substâncias ilegais no esporte ganhou um novo capítulo recentemente com as revelações feitas pelo ex-diretor do laboratório antidoping de Moscou Grigory Rodchenkov sobre a existência de um programa de doping na Rússia envolvendo o governo e até mesmo os serviço de inteligência FSB.

A denúncia, confirmada este mês por um relatório independente contratado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) afirma que o FSB desevolveu um método para violar as amostras de urina sem que fossem detectadas durante os Jogos de Inverno de Sochi 2014. Segundo Rodchenkov, existiu uma operação secreta noturna para retirar amostras através de um buraco na parede do laboratório russo, que então eram trocadas por amostras limpas dos mesmos atletas.

Diversos atletas russos, incluindo toda a equipe de atletismo, foram banidos da Olimpíada devido ao doping.   Continuação...

 
Radler, diretor do LBCD em entrevista à Reuters
 29/7/2016 REUTERS/Nacho Doce