Governo destitui chefe do cerimonial das Olimpíadas a uma semana da Rio 2016

sábado, 30 de julho de 2016 11:23 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

(Reuters) - A uma semana do início das Olimpíadas do Rio de Janeiro, o Ministério das Relações Exteriores decidiu destituir o chefe do cerimonial, embaixador Fernando Igreja, responsável por toda a organização da recepção de chefes de estado da Rio 2016, por questões políticas.

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o embaixador foi retirado do cargo por ser visto como ligado ao governo da presidente afastada Dilma Rousseff, já que foi o chefe do cerimonial do Itamaraty por três anos e meio, e ter clara simpatia pelo governo anterior.

O governo tenta tratar a saída de Igreja – que será enviado para chefiar a embaixada brasileira em Cuba – como uma mudança de rotina. A informação oficial do Itamaraty é que o embaixador está saindo "a pedido" para iniciar seu período no exterior. A amigos, o próprio Igreja diz que estava cansado e repete a versão oficial de que surgiu a oportunidade de assumir a embaixada.

Na organização dos Jogos do Rio, no entanto, a mudança repentina provocou apreensão, especialmente entre os que cuidam diretamente da organização da recepção e da segurança dos chefes de estado. Até agora são 50 confirmados e cerca de 30 com "indicações de presença" – desses, a maior parte virá, mas por questões de segurança a confirmação só é feita nas últimas horas.

"São milhares de detalhes que ainda precisam ser decididos nos próximos sete dias. Ele tinha tudo na cabeça", disse uma das fontes.

Um dos problemas para a organização é que nem mesmo há um substituto indicado. O cargo deve ser assumido interinamente por outro diplomata, o ministro João Mendes, que, apesar de não ser do cerimonial, vinha auxiliando Igreja. Outros dois conselheiros estão tocando o dia a dia. Mas, de acordo com a fonte, apesar de conhecerem bem a organização, não têm a autoridade de Igreja.

De acordo com outra fonte, a saída de Igreja a uma semana do início das Olimpíadas não se justifica, já que, mesmo indicado para a embaixada em Cuba, serão alguns meses para o embaixador assumir o cargo.

A comunicação ainda precisa ser feita ao governo do país, que precisa então dar o chamado agrèment, o aceite ao novo embaixador. Depois disso, Igreja precisa passar por uma sabatina no Senado. Uma semana não teria alterado substancialmente esse processo, diz a fonte.   Continuação...