Agência antidoping defende momento de relatório sobre Rússia após crítica do COI

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 15:34 BRT
 

Por Karolos Grohmann

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Agência Mundial Antidoping (Wada) defendeu nesta segunda-feira a data da publicação de um relatório de doping sobre a Rússia, um dia depois de o Comitê Olímpico Internacional (COI) culpar a agência pela incerteza a respeito da participação dos atletas russos na Olimpíada do Rio de Janeiro.

O relatório independente da Wada, compilado pelo professor de Direito Richard McLaren, foi divulgado em 18 de julho, descrevendo a prática sistemática de doping com patrocínio estatal na Rússia e provocando uma série de sanções poucos dias antes do início dos Jogos Rio 2016, em 5 de agosto.

"O comitê executivo da Wada... apoiou o mandato independente do professor McLaren, que era obter indícios tão rapidamente quanto possível no interesse dos atletas limpos", disse o chefe da agência, Craig Reedie, em um comunicado."Embora isso seja desestabilizador na véspera dos Jogos, é óbvio, dada a seriedade das revelações que ele trouxe à tona, que elas tinham que ser publicadas e desencadear ações sem demora".Como resultado, só um integrante da equipe de atletismo da Rússia foi liberado para competir, enquanto dezenas de russos praticantes de outros esportes foram banidos da Rio 2016 devido a sanções por doping recebidas anteriormente.Mais de 250 atletas russos, de uma equipe original de 387, tiveram permissão para participar, mas aguardam ainda para esta semana o sinal verde de um conselho de três membros do COI que têm a palavra final.No domingo o COI disse não ter responsabilidade pela incerteza, atribuindo a culpa explicitamente à Wada e à divulgação do relatório McLaren em julho."Não somos responsáveis pela ocasião do relatório McLaren, ou pelo fato de que informações diferentes que foram oferecidas à Wada alguns anos atrás não tiveram prosseguimento", afirmou o presidente do COI, Thomas Bach.Não somos responsáveis pela supervisão dos laboratórios de doping. O COI não pode ser responsabilizado pela ocasião dos incidentes que agora temos que enfrentar, alguns dias antes dos Jogos".  A Wada recebeu informações de delatores alguns anos atrás, mas não agiu rapidamente. A agência havia exigido o banimento total dos atletas russos na esteira do relatório McLaren, mas o COI permitiu que aqueles que não têm registros de doping e exames internacionais de drogas suficientes compitam, dizendo que seria injusto punir atletas limpos e fraudadores igualmente.

 
Presidente da Wada, Craig Reedie, em Lausanne. 21/06/2016 REUTERS/Denis Balibouse