Episódios recentes de tensão racial nos EUA geram debates na véspera da Rio 2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 18:02 BRT
 

Por Mary Milliken e Steve Keating

LOS ANGELES/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O recente verão de tensão racial, violência e política dos Estados Unidos transbordou para as quadras de basquete, as pistas de atletismo e as publicações no Twitter de alguns dos principais esportistas do país.

Será que logo agora, quando estão a caminho da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016 entre os dias 5 e 21 de agosto, eles irão levar o debate sobre o abismo racial dos EUA consigo para o maior evento esportivo do mundo?    O que vem à mente é outro verão do Hemisfério Norte no qual o esporte e a raça colidiram de maneira espetacular: os Jogos da Cidade do México de 1968.    Na ocasião, dois corredores norte-americanos medalhistas dos 200 metros, Tommie Smith e John Carlos, ergueram os punhos cobertos com luvas pretas e abaixaram a cabeça no pódio em apoio ao Black Power, um protesto pelo qual Carlos disse ter pago caro.    "Assim que erguemos as mãos, foi como se tivessem ligado uma tomada. O clima no estádio se envenenou na hora", escreveu ele em um artigo de opinião no site de notícias Vox em julho.    "Em questão de dias, Tommie e eu fomos suspensos da delegação olímpica dos EUA e tivemos que ir embora da Cidade do México mais cedo."    A violência nas ruas norte-americanas fez muitas pessoas se lembrarem dos anos 1960, década marcada pela luta pelos direitos civis.    Só no mês passado, dois negros foram mortos pela polícia na Louisiana e em Minnesota, e policiais sofreram emboscadas em Dallas e Baton Rouge, na Louisiana, que deixaram oito mortos.    Alguns esportistas, como algumas jogadoras de basquete da liga profissional WNBA, vêm mostrando apoio ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), que ganhou corpo nacionalmente em 2014, na esteira da morte de um adolescente desarmado do Missouri causada pela polícia.    Outros, como o jogador de basquete Carmelo Anthony, membro da delegação olímpica, usaram a fama para aproximar comunidades e polícias para que debatam a tensão racial e o policiamento.    "Fiquei muito comovido e honrado que as mulheres da WNBA tenham ido tão longe para enaltecer nossa mensagem e a causa", disse Kofi Ademola, principal organizador do Black Lives Matter em Chicago.    Ademola disse estar esperando para ver se Anthony e outros atletas seguem as "poderosas mulheres da WNBA", se apoiam a polícia ou se "ficam em silêncio e indiferentes a tudo, como se nada estivesse acontecendo".    (Reportagem adicional de Amy Tennery, Scott Malone, Liana Baker e Gene Cherry)