Tsunami de doping no atletismo deixa principal esporte olímpico à beira do abismo

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 21:01 BRT
 

Por Mitch Phillips

LONDRES (Reuters) - Um ano de polêmicas, corrupção, acobertamento, suspensões, apelações e doping, doping, doping mancharam o coração e a alma do atletismo, o esporte que muitas vezes é considerado o coração e a alma das Olimpíadas.

Não há uma nuvem de doping sobre a modalidade nos Jogos do Rio, mas sim uma densa e suja névoa que encobre todos os cantos e deixou o esporte à beira do abismo.

O velocista jamaicano Usain Bolt provavelmente vai fazer o mundo parar quando tentar novamente o ouro nas provas de velocidade, e o britânico Mo Farah será amplamente saudado caso domine as provas de distância, ao passo que a neozelandesa Valerie Adams tentará assegurar seu status como a maior a atleta feminina de arremesso de peso de todos os tempos.

Mas essas performances, e todas as outras durante 10 dias no Rio, serão vistas através do prisma do doping, com a ausência de atletas russos representando uma lembrança diária da maldição que recai sobre esta modalidade esportiva.

Não é que todos pensem que Bolt, Farah e Adams tenham sido beneficiados pelo uso de drogas. É potencialmente pior — as pessoas já nem se importam mais.

Um ano atrás Bolt foi saudado como o salvador do atletismo após superar Justin Gatlin, duas vezes condenado por doping, na final dos 100m no campeonato mundial.

Se os músculos de Bolt aguentarem, ele então tem uma grande chance de melhorar ainda mais sua posição como uma “lenda” do esporte, caso vença novamente as duas provas de velocidade e ajude a Jamaica a conquistar uma terceira medalha de ouro consecutiva no revezamento 4x100 metros. 

Ele fez de tudo em sua corrida final em Londres na semana passada para indicar que está em forma — e agora só precisa redescobrir o impulso que o levou a brilhar nos últimos oito anos.   Continuação...

 
REUTERS/Ivan Alvarado