Chefs irão oferecer excedente de comida da Vila Olímpica para os pobres do Rio

sexta-feira, 5 de agosto de 2016 16:23 BRT
 

Por Magdalena Mis

LONDRES (Thomson Reuters Foundation) - Enquanto os atletas se aquecem para o início da Olimpíada do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, dezenas de chefs estão se preparando para um desafio de outro tipo: alimentar os famintos da cidade-sede dos Jogos com as sobras de alimentos da Vila Olímpica.

O chef brasileiro David Hertz e o italiano Massimo Bottura, auxiliados por mais de 50 colegas de todo o mundo, pretendem transformar o excedente alimentar da vila em cerca de 5 mil refeições nutritivas por dia para os necessitados.

A iniciativa RefettoRio Gastromotiva segue os passos de outra semelhante, a Refettorio Ambrosiano, lançada pelos dois chefs durante a Exposição de Milão, na Itália, no ano passado.

"A RefettoRio Gastromotiva irá trabalhar somente com ingredientes que estão prestes a ser desperdiçados... como frutas e vegetais em má condição ou iogurte que irá vencer em dois dias se você não comprá-lo", disse Hertz à Thomson Reuters Foundation.

Os beneficiários serão pessoas em dificuldades, como desabrigados e outros necessitados, acrescentou Hertz. "Queremos combater a fome e oferecer acesso a boa comida", afirmou ele em uma entrevista por telefone do Rio.

Entre 30 e 40 por cento de toda a comida produzida no mundo jamais é consumida por estragar após a colheita ou durante o transporte, ou é jogada fora por lojas e consumidores. Mesmo assim, quase 800 milhões de pessoas em todo o planeta vão para a cama com fome todas as noites, de acordo com cifras da Organização das Nações Unidas (ONU).

No Brasil, o número de famintos caiu de quase 15 por cento da população em 1990 para menos de cinco por cento em 2015, mostram dados da ONU – mas, em um país de 208 milhões de habitantes, isso significa que milhões ainda não se alimentam o suficiente.